Thursday, November 10, 2005

Partem tão tristes

Quem não se lembra de deparar nos manuais escolares do 10 (ou seria já 11º?) ano com este poema de 6 séculos de um homem que poderia ser um de nós? Poderia ser eu. Tudo isto é tão simples, tudo isto é tão lindo, tudo isto é tão triste. Lembro-me de olhos que partiam chorando, que se apartavam entre lágrimas, no dia 20 de Julho de 2005 no Rio de Janeiro. E não eram só os meus...




João Roiz de Castelo-Branco, Cancioneiro Geral




Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tão tristes, os tristes,
tão fora de esperar bem
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

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