<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162</id><updated>2011-10-15T15:49:23.521-07:00</updated><title type='text'>monólogos de um cavaleiro da triste figura</title><subtitle type='html'>Blog de um Esquerdista radical Marxista avesso a blogs. "Cativo de uma cativa que já não quer que viva".Tímido e depravado, plebeu e intelectual, materialista e romântico.
Os tempos não são bons. Já são tão poucos os loucos neste mundo: 
"Ya no hay lócos" (...) todo el mundo está cuerdo, terrible, horriblemente cuerdo"</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>24</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-8497533128707036296</id><published>2008-03-13T11:52:00.001-07:00</published><updated>2008-04-10T16:43:11.214-07:00</updated><title type='text'>Kosovo, Tibete e Cova da Moura</title><content type='html'>E aqui está a independência do Kosovo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabe perguntar se faz algum sentido esta independência. Independentemente da questão jurídica, do ponto de vista da justiça, será que assiste alguma razão aos que agora unilateralmente (mas obviamente escudados na conivência tácita dos EUA e governos da UE) declaram a secessão da Sérvia. Têm direito à independência os albaneses do Kosovo?&lt;br /&gt;Podemos falar, naturalmente na estrutura demográfico-étnica da região: há 90% de Albaneses para 10% de outras etnias. Mas isso levanta logo duas questões: primeiro, como é que se atingiu esse desequilíbrio populacional; segundo, se esse for o critério, e se fosse aplicado universalmente, haveria uma explosão de micro-estados por todo o lado, no seio de estados nações de formação bem antiga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à primeira questão, há que sublinhar apenas alguns aspectos históricos. Ao longo do século XIX e até ao início do século XX a relação demográfica na região não tinha esta estrutura desequilibrada. A alteração tornou-se particularmente notória com a limpeza étnica que ocorreu no período da segunda guerra mundial, quando albaneses de simpatia fascista, auxiliados e sob a cobertura da itália de Mussolini, afugentaram muitos sérvios da região- Quando se constituiu a República Federal da Jugoslávia, impediu-se ou dificultou-se, pelo menos, o retorno dos sérvios à região, no intuito, compreensível, de evitar causar tensões étnicas e regionais que pudessem ameaçar o novo estado dos "eslavos do sul", cuja força residia na união fraternal, em oposição aos antigos donos imperialistas. Pela primeira vez, os povos desta região não eram meras marionetas nos jogos entre impérios (como haviam sido do império Austro-húngaro, otomano e russo), mas tinham uma voz própria, autónoma, no mapa-mundi. Assim, Tito buscou atenuar tensões e silenciar vozes independentistas que poriam em causa a unidade do novo país socialista, forjada na luta anti-fascista e de libertação dos heróicos partisans: a partir daí, a estrutura étnica do Kosovo nunca mais foi reequilibrada. Entretanto, nas últimas 3 décadas, a população albanesa apresentou taxas de natalidade particularmente elevadas em relação à população sérvia do Kosovo. O desequilíbrio acentuou-se. Mas não foi apenas isto. A autonomia alargadíssima que fora atribuída ao Kosovo só foi retirada por Slobodan Milosevic porque a população sérvia do território fora submetida a um autêntico apartheid pelas autoridades locais: havia quotas máximas para o acesso dos sérvios às universidades e todo um regime vergonhosamente discriminatório. Por outro lado, a coberto da conivência das autoridades dominantes albanesas, surgiram as primeiras acções de assédio aos sérvios por parte do UÇK: por meio de ameaças de morte, destruição de colheitas, gado, habitações e condições de vida em geral, em poucos anos 30 000 sérvios foram abandonando o território. E, ainda assim, mais tarde, foi proposto, antes do conflito chegar ao ponto a que chegou (e que veio a culminar na agressão da NATO), um estatuto de autonomia muito alargado (similar ao que se havia perdido): este foi rejeitado pelo UÇK que, sentido as "costas quentes" pelo amigo americano, sabia que não era o momento de negociar. E assim se fez a estrutura étnica do Kosovo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, entrando já na segunda questão, imaginemos que uma população se torna maioria (até maioria esmagadora) numa região: isto é motivo suficiente para a independência. É justo? Se é, proponho desde já a independência da Amadora, ou pelo menos da Cova da Moura. Afinal, a população com origem em Cabo verde é muito forte e é provável que venha, em virtude do seu crescimento demográfico mais acentuado, a ser a maioria esmagadora dos habitantes da Amadora...e se tomarmos em conta todos aqueles de origem africana, quem sabe no futuro toda a cintura de Lisboa tenha uma maioria negra e de origem africana. Tendo isso em conta, porque não podem eles alegar um direito à independência, separar-se de Portugal? Um estranho grupo, denominado os Nzingalis, apresentava na internet um manifesto nesse sentido. Mesmo que isto tenha sido uma invenção dos neo-nazis para assustar e cativar portugueses "europeus" a questão tem que se colocar: se basta tornar-se a maioria, ou a maioria num determinado lugar, então não haverá porque negar legitimidade a movimentos independentistas desse tipo. E porque não a independência de Miranda do Douro? &lt;br /&gt;No entanto, a verdade é que ao mesmo tempo que se apressa a reconhecer este novo pseudo-estado, ninguém fala, pelo menos, em autorizar a realização de referendos sobre a possibilidade de independência do país Basco. A Turquia, no mesmo dia em que reconheceu o novo estado, lançou uma ofensiva militar de larga escala contra os curdos, invadindo o curdistão iraquiano. E que ninguém ouse abrir a boca para falar em independência dos curdos da Turquia! Uma deputada de origem curda no parlamento foi presa simplesmente por falar em Curdo. Gostaria de saber, aliás, qual seria a posição dos EUA e da UE se o povo palestiniano (esse sim, com muitas mais razões de monta para legitimamente fazê-lo) declarasse unilateralmente a sua constituição como estado soberano, pelo menos se o fizesse abrangendo, como é justo, os territórios (todos!!) ocupados desde 1967 pela máquina de guerra "apharteidiana", imperialista, que é o estado confessional e expansionista de Israel. Maior e mais chocante dualidade de critérios é impossível!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sobre o Kosovo e a sua independência há mais a dizer: é que poderá vir a ser uma independência sui generis. E não estamos a falar de uma vaga hipótese...Para o que se segue,recorro essencialmente (com recurso a citações) ao excelente artigo de Jorge Cadima no "militante" de Março-Abril ("De novo o Kosovo") cuja leitura recomendo a toda a caterva de ingénuos sobre as relações internacionais (alguns dos quais pululam na esquerda portuguesa e europeia). O artigo foi escrito antes da declaração de independência e permite-nos ver como se foi construindo a situação que hoje temos. Fica patente a mentira, o incumprimento de promessas, o vazio das declarações, o desrespeito do direito internacional e, acima de tudo a falsidade dos motivos sempre invocados para todas as intervenções na ex-jugoslávia. &lt;br /&gt;Marti Ahtisaari, "Numa «Proposta para um Resolução Global do Estatuto do Kosovo», proclama que essa «independência» terá de prosseguir sob «supervisão internacional», com uma «presença internacional civil e militar» (explicitamente atribuída à NATO) durante um período não especificado, que «apenas poderá terminar quando o Kosovo tiver concretizado as medidas referidas na Proposta de resolução». &lt;br /&gt;E quais são essas medidas?Além de pias declarações sobre respeito de direitos(...)a proposta(...)proclama explicitamente que tem de haver um «processo contínuo de privatizações», com «um substancial envolvimento internacional».&lt;br /&gt;Mas então quando algum povo se torna independente, soberano, não deve ser ele próprio a definir como será o seu novo estado, nomeadamente que tipo de sistema económico e políticas públicas se devem adoptar nesse novo estado? Para os ingénuos e para os que não querem entender, deixam-me deixar claro. Todo o processo de desintegração da ex-jugoslávia destinou-se a destruir o que restava do antigo sistema socialista jugoslavo. Foi por isso que com tanto afinco se apostou na secessão (ilegal) da Croácia e Eslovénia. Eram os dois estados mais reaccionários dentro da jugoslávia e os que mostravam mais vontade de aderir rapidamente ao sacro-santo  princípio de uma economia de mercado livre. E assim foi. Por outro lado, dividindo a Jugoslávia em pequenas países de pequenas dimensões, a dominação económica e política ficava assegurada. Não é por outra razão que Israel hoje tenta separar A cisjordânia da Faixa de Gaza...separando e dividindo o povo palestiniano, enfraquece o adversário e tentar chantagear e quebrar a resistência desse povo martirizado. Esta táctica, de resto, coincide com a táctica do regime do apartheid na África do Sul: estes criaram os chamados "bantustões", pequenos territórios de dimensões e competências municipais (quis inclusive que a ONU reconhecesse estas "independências negras" - olha que magnânimos que eram!) onde os negros teriam, supostamente, "soberania", independência...&lt;br /&gt; Retornando à ex-jugoslávia, a Alemanha fez deste território martirizado o seu "backyard", como os EUA tentam desde há muito fazer com a América Latina. Tomou as vestes de novo império autro-húngaro na região. As tropas croatas que lutavam contra as tropas das tropas da República Federal Jugoslava usavam armas e uniformes do exército alemão. Os croatas da Bósnia tiveram idêntico direito. E parece que o mesmo sucedeu com os guerrilheiros do UÇK. Entretanto, não foi por certo coincidência que durante a secessão o marco passou a ser a moeda usada na Croácia, O mais engraçado é que no chamado pré-acordo (que, para os sérvios não passou de um diktat) de Rambouillet já vinha previsto que o Kosovo deveria ser uma "free-market economy" (repare-se que supostamente este era apenas um pré-acordo, uma espécie de ponto prévio antes de começarem as negociações que deveriam levar à paz). De referir também que a moeda no período transitório deveria ser, novamente, o marco alemão...&lt;br /&gt;Mas vejamos quão sui generis é esta soberania e este respeito pela democracia dos democratíssimos governos europeus, Nato e EUA. A proposta ainda tem mais maravilhas a anunciar. Citando Cadima outra vez: " a Proposta prevê também que a União Europeia exerça as funções de «Representante Civil Internacional», que será a «autoridade de supervisão máxima» no território «independente», com «fortes poderes correctivos», entre os quais os de »anular decisões ou leis aprovadas pelas autoridades do Kosovo e aplicar sanções e demitir autoridades públicas cujas acções ele/ela determine serem inconsistentes com a Resolução»(...)Mesmo no plano judicial, está prevista a existência de uma «Missão de política Europeia de Segurança e Defesa» que deverá «fiscalizar, supervisionar e aconselhar em todas as áreas relativas ao Estado de Direito no Kosovo» e que terá «o direito de investigar e julgar de forma independente, crimes sensíveis».&lt;br /&gt;Nas palavras de Jorge Cadima: "o novo Kosovo será um bantustão europeu, sob ocupação colonial dos EUA/União Europeia/Nato, cujos dirigentes poderão, mesmo que eleitos democraticamente, ser afastados por ordem das autoridades coloniais". E demonstrando que estes poderes provavelmente não se ficarão apenas pelas declarações em papel, o autor relembra que análogos poderes estavam previstos nos Acordos de Dayton relativos à Bósnia e que foram abundantemente e sem vergonha usados:&lt;br /&gt;"Durante o ano de 2004, o governador colonial na Bósnia, o ex militar britânico Paddy Ashdown, «demitiu 59 políticos [eleitos] na República Sérvia [da Bósnia] tendo forçado o próprio Presidente sérvio-bósnio a demitir-se em Abril de 2004. Em Março deste ano [2005] coube a vez ao membro croata da Presidência da Bósnia-Herzegovina, Dragan Covic, ser demitido devido a acusações nunca provadas de corrupção»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras para quê? Democracia, Independência, Direitos Humanos, tal como interpretados pelos EUA, UE e NATO.&lt;br /&gt; Os meus parabéns também a todos os esquerdalhos que conseguem ser suficientemente ignorantes e ingénuos para serem manipulados a ponto de achar que alguma vez se produzirá justiça, democracia ou sequer independência real nestes processos dominados  pelos grandes governos imperialistas. &lt;br /&gt;Entretanto, a indignação sobe de tom quanto ao Tibete. Independentemente do que se possa achar quanto às reivindicações de independência dos tibetanos (que, para todo o efeito, ainda que o Tibete tenha sido parte integrante da China desde o séc. XIII, me parecem mais justificados do que a independência dos Albaneses do Kosovo), será que alguns desses esquerdistas ainda não entenderam que esta campanha e o timing da mesma são tudo menos inocentes? Será por acaso que uns poucos meses antes tivemos o Dalai Lama a percorrer meio mundo, visitando vários países? Quando os jogos olímpicos de Pequim vão a velocidade de cruzeiro e ameaçam ser um sucesso, surgem estas manifestações, aparentemente sem motivo mais próximo algum. Por outro lado, circulam em vários media internacionais fotografias falsas (e que só podem ter sido usadas de má fé várias delas) que pretendem demonstrar a brutalidade da repressão chinesa sobre os monges budistas. Veja-se a este propósito vários artigos no Rebelión.Usam-se fotografias e até imagens em estações de televisão que são retiradas de outro contexto (fotografias tiradas no nepal onde, inclusive se podem ver claramente os uniformes da polícia nepalesa)e atribuem-se aos acontecimentos em Lhassa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.rebelion.org/noticia.php?id=65420&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;De resto, gostaria apenas de lembrar que o "simpático" Dalai Lama ("Deus-rei")não é nenhum dirigente eleito e o regime em que vivia o tibete antes da revolução chinesa era um regime Feudal-teocrático. Os monges eram uma classe feudal e o estatuto dos camponeses era similar ao de servos medievais. A família do Dalai Lama tinha, ao que parece, centenas de escravos. Por isso é que a repressão sobre essa classe crerical- nobiliárquica foi tão dura e é por isso também que parte da população tibetana não nutria nem nutre grandes sentimentos por dirigentes como dalai lama ou pelo regime cessante... &lt;br /&gt;Antes que se presuma qualquer simpatia pelo regime chinês aviso desde já que se enganam profundamente: o socialismo foi há muito abandonado por um capitalismo selvagem. De mera táctica temporária, o status quo parece ter-se tornado já o próprio objectivo: um crescimento capitalista desenfreado. Ora autoritarismo neoliberal é do mais repugnante que existe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-8497533128707036296?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/8497533128707036296/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=8497533128707036296' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/8497533128707036296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/8497533128707036296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2008/03/kosovo-tibete-e-cova-da-moura.html' title='Kosovo, Tibete e Cova da Moura'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-4528980118310216976</id><published>2007-06-18T13:35:00.000-07:00</published><updated>2007-07-23T09:34:58.463-07:00</updated><title type='text'>Sexualidades (1)</title><content type='html'>Acabo de ler um artigo na revista Pública sobre um realizador de filmes eróticos catalão, Conrad Son. Estalou uma polémica em Espanha pelo facto de a Generalitat, governo regional da Catalunha, ter subsidiado o filme. O tema é, de facto, pouco interessante. Só me interessam do artigo algumas das afirmações de Conrad Son e toda a problemática em torna da questão da pornografia.&lt;br /&gt;Creio que há um certo fundamentalismo anti-pornográfico nas nossas sociedades (e, apesar de tudo, a Catalunha até é um caso particularmente positivo nesse domínio) e que a pornografia é associada a fenómenos muitos negativos sem que haja qualquer conexão lógica entre a primeira e os outros. &lt;br /&gt;Mas comecemos por uma questão básica: o que distingue pornografia de erotismo? Ou, mais especificamente, filmes pornográficos de filmes eróticos? A resposta (a existir) sem carga pejorativa, neutral portanto, só pode ser a de que o filme pornográfico é aquele em que surgem cenas de sexo explícito e o filme erótico aquele em que não existem tais cenas "explícitas" de sexo, havendo, porém, alusão, mais ou menos velada, ao acto sexual. Desta definição pode retirar-se uma conclusão clara: a distinção envolve graus e não estabelece dois "reinos" estanques. A "alusão" ao acto sexual no erótico terá que ser suficientemente clara para que se possa considerar erótica, mas, para não se confundir com  "o pornográfico", terá que ser suficientemente “não-explícita". E o que é que define algo como explícito? Novamente, é tudo uma questão de grau: há imagens mais ou menos explícitas. Quando é que uma alusão passa a ser uma reprodução do acto? &lt;br /&gt;Pela minha experiência empírica, a única coisa que encontrei de constante em filmes que vi e que estavam classificados de eróticos foi a ausência absoluta da filmagem de um pénis (erecto, pelo menos) e, portanto, de qualquer cena em que este surja também "em acção". Também sucede que normalmente não se filma, em pormenor, a vagina de uma mulher. Portanto, o critério "pragmático" que encontro de classificação é o da ausência de filmagem de genitais, sobretudo e predominantemente, do genital masculino.&lt;br /&gt;Este critério é um tanto arbitrário, como se pode perceber. Ainda assim, há duas observações a fazer. Porquê esta fixação no pénis masculino? Aliás, porquê a obsessão com a sua ausência, escrupulosamente, fanaticamente cumprida?&lt;br /&gt;E porque é que comummente se diz (particularmente entre muitas mulheres) que "o erotismo é arte" (ou "é artístico") por oposição à pornografia que, necessariamente, é não-artística? &lt;br /&gt;Tentarei abordar esta segunda questão em primeiro lugar. Esta classificação é tudo menos neutral, ao contrário da primeira. Destina-se a emitir um juízo de valor profundamente negativo sobre a pornografia, desclassificando-a para o domínio do desprezível, mantendo, simultaneamente, o valor da produção erótica. Não discuto sobre o que seja belo ou valioso do ponto de vista estético. É, aliás, uma discussão perfeitamente inútil e enfadonha. Simplesmente, pela minha parte, não entendo como é que se pode afirmar taxativamente que, pela sua própria natureza (seja lá o que isso for...poderá ser eventualmente o seu tal carácter explícito), a pornografia é, e não pode deixar de ser, "anti-estética" ou não-estética. Mais difícil ainda para mim de entender é como é que se pode atribuir a tudo o que seja erótico a qualidade de intrinsecanente artístico. Digo isto porque, pelo que vi de filmes eróticos, muitos, senão a maioria, não parecem ter sido criados com a intenção de serem artísticos, mas apenas de serem provocadores do ponto de vista sexual. Não tiveram essa intenção estética, nem  creio que realizem, pelo menos não necessariamente, não em todo e qualquer caso, essa função de produzir algo com valor estético. &lt;br /&gt;Só se poderia afirmar que uma obra erótica é necessariamente estética se se assimilasse o carácter sexualmente provocador ou insinuador (e não mais do que insinuador) à beleza ou à "esteticidade" (novamente, seja lá o que isso for). Ou, pelo menos, se se puder afirmar, sem qualquer reticência, que onde se realize com sucesso essa função de insinuação sexual, sem se ultrapassar a barreira do "explícito", imediatamente teremos uma obra com valor artístico.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Voltemos ao que importa: se eu estiver correcto e este tipo de critério de distinção for destinado a desclassificar, a classificar negativamente, a pornografia, o que é que leva as pessoas a fazerem-no? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do progresso das ideias liberais e da derrota do conservadorismo é o da decadência progressiva de um pensamento religioso que associava a sexualidade ao pecado. O laicismo e anti-clericalismo radicais que surgem no final do séc XVIII, têm um momento paroxístico na Revolução Francesa, e, ciclicamente, sobretudo na França e nos países culturalmente próximos, surgem momentos de tensão e de ruptura com a igreja e o pensamento conservador-religioso. Esse pensamento conservador e religioso associava a sexualidade e o prazer ao pecado. O uso da sexualidade como fonte pura e simples de satisfação pessoal era visto como algo moralmente errado. Deus havia criado as Almas  e, de quando em vez, soprava uma alma para um corpo, esse reles e prosaico recipiente. Sendo a Alma uma criação (e portanto, propriedade) de Deus e o corpo um empréstimo, os mortais vinham ao mundo com missões pré-estabelecidas e o uso do corpo para fins não conformes à "natureza das coisas" ou aos intentos de Deus, era um pecado, uma acção moralmente errada. Se me dão dinheiro especificamente para que eu construa uma casa para quem me deu o dinheiro, será errado se eu usar esse dinheiro para me divertir e não construir a casa. As mulheres eram as principais vítimas das limitações impostas por este tipo de pensamento, porque, numa sociedade machista, as limitações morais e jurídicas ao uso do corpo em conformidade com os desejos pessoais, recaíam, naturalmente, de uma forma especialmente severa sobre o sexo dominado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A justa luta pela emancipação das mulheres do domínio dos homens, de uma mentalidade machista (partilhada tanto por homens como por outras mulheres- afinal, regra geral, os sistema de dominação assentam numa certa aceitação pelos dominados da sua condição de inferiores, como algo de inevitável e até natural), passou pela reivindicação do laicismo, pelo afastamento da igreja e do pensamento religioso do ensino e pela reivindicação liberal do direito dos indivíduos ao prazer e felicidade, a não ser limitado senão pelo necessário à preservação das liberdades e direitos de outros indivíduos. &lt;br /&gt;Entretanto, ocorreu uma confusão na mente de muitos dos que se reivindicavam liberais e progressistas entre a contestação a uma determinada moral, a moral pré-liberal (que  atribuía a soberania sobre o corpo a Deus ou a uma ordem natural e não ao homem ou mulher concreto que nele vive) defendida pela igreja e forças conservadoras, por um lado, e a reivindicação de um "amoralismo" e relativismo, por outro. Encurtando a história, o termo "imoral" tornou-se uma palavra "proibida" no vocabulário dos progressistas e das mulheres que faziam questão em lutar pelos seus direitos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Muitas mulheres, apesar de não aceitarem o papel passivo e secundário que as sociedades machistas lhes atribuíam e ainda atribuem, mantêm uma atitude um tanto conservadora em matéria sexual. Outras, simplesmente, não se sentem confortáveis ou não apreciam a pornografia. Não podendo usar o banido termo de "imoral" (que nem lhes passa pela cabeça que se possa usar, porque julgam-se muito "progressistas" e não querem, compreensivelmente, ser confundidas com alguma freira reaccionária ou uma ingénua e tonta donzela romântica do séc XIX), resta-lhes, como forma de desclassificar algo de que não gostam, o recurso ao outro tipo de juízos de valor que não foram "deslegitimados" na linguagem do quotidiano: os juízos de valor estético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não gostam, em muitos casos, porque a sexualidade, pelo menos quando não acompanhada do "sentimento" (seja lá o que isso for), ainda está associada ao "mal", ao moralmente errado. A nossa sociedade ainda está presa, por vias muito indirectas e subtis, ao platonismo, que degrada o "somente" físico e corporal (como se os "sentimentos" não fossem um produto físico – e social, claro está- do cérebro e não estivessem associados à produção de todo o tipo de substâncias químicas…) e exalta o "espiritual" (mesmo que não se use este exacto termo) ou, mais comummente, a "necessária e benéfica" combinação dos dois. As mulheres já não aceitam (ainda bem!) que determinem “de fora” a sua sexualidade, mas elas próprias são educadas e acabam por interiorizar certos limites implícitos à vivência da sua sexualidade. Fora desses limites, julgam estar a violar a sua natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, quer se queira admitir, quer não, a nossa é ainda uma sociedade machista e onde tudo é perspectivado de um ponto de vista "masculino". Assim, ainda hoje, a homossexualidade masculina é mais "mal vista", é mais "incómoda", tem maior visibilidade. Como explicar isto senão pelo facto de que o sexo dominante é ainda, para todo os efeitos, o masculino? São os homens que têm uma posição preponderante, apesar da crescente ascensão das mulheres e, assim sendo, focam a sua atenção nos seus "iguais": os homens.É mais "ameaçadora" para a preponderância cultural dos homens, do ponto de vista simbólico, a homossexualidade masculina. Não aprecio muito este tipo de explicações, mas é patente que associada à ideia de masculinidade está a de "dominação", de posição de mando, de autoridade, por oposição à da mulher, que tenderia à submissão, à passividade. Estas seriam, num pensamento tradicional e conservador, tendências naturais (e não produtos socialmente construídos), que justificariam, que dariam legitimidade, ao papel preponderante dos homens e dominado das mulheres. Associado a estas ideias de dominação está uma determinada "imagética sexual". O homem, dominante pelo seu carácter na família e na sociedade, na organização social em geral, também há-de sê-lo no acto sexual. Daí a "pancada" que os juristas medievais tinham com a ideia da penetração (porque quem penetra é activo, quem é penetrado é passivo, dominado), servindo, por exemplo, de critério para aferir da gravidade maior ou menor do pecado da mollície (isto é, do acto homossexual feminino). A mulher que usasse algum instrumento para penetrar outra (e, pior ainda, para penetrar um homem!) estaria a elevar-se a uma posição de dominadora, de preponderante, desafiando a hierarquia “natural” dos sexos. Caso contrário, estes mesmos juristas recomendavam a complacência para com as mulheres. O inverso sucedia com o homem penetrado: passava, simbolicamente, para o papel de dominado. Para os sodomitas (que também cometiam o pecado horrível de derramar sémen de uma forma que não era passível de produzir descendência) estava reservada a morte pelo fogo, exigida implacavelmente, por ordenações feudais e seus intérpretes. &lt;br /&gt;O problema é que a ordem social toda era, no imaginário feudal, um reflexo da ordem natural, da ordem querida por Deus. Era sob esta ideia da existência de uma vontade divina na permanência da ordem social (e, portanto, da inevitabilidade do status quo) que a legitimidade da mesma assentava. &lt;br /&gt;Tal como o heliocentrismo, que, embora não desafiasse directamente a legitimidade do feudalismo, era perigoso, na medida em que punha em causa a credibilidade das verdades até então afirmadas pela igreja (esteio da sociedade feudal, como aparelho ideológico do estado feudal necessário à reprodução do mesmo) e a inevitabilidade e legitimidade da ordem social existente, a homossexualidade masculina, a ser permitida e não reprimida como aberração contrária aos desígnios de Deus, poderia fazer duvidar da inevitabilidade divinamente estabelecida da ordem social: o domínio dos homens, em particular, mas, eventualmente, e mais perigoso, toda a ordem social seria vista como discutível, como uma entre outras opções. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retorno agora à primeira questão: porquê o ênfase no pénis? Provavelmente porque vivemos justamente  numa sociedade ainda dominada pelos homens. O corpo do homem, a sua beleza e o desejo que possa suscitar são secundarizados. Presume-se também, por outro lado, que as mulheres “naturalmente” (tal como dantes presumia-se que “naturalmente” não teriam capacidade, apetência ou gosto por arte, por conhecimento e  cultura em geral, e depois,mais tardem não teriam "queda" para a economia, direito, ou engenharia, actividades tidas como “masculinas por natureza”)  não gostam ou não devem gostar de ver um homem na sua nudez plena; não devem olhá-lo como objecto de desejo sexual pura e simplesmente. E como o filme erótico é também (e não apenas o filme pornográfico) feito a pensar nos homens, é aceitável mostrar mulheres nuas e órgãos genitais femininos, mas já não os masculinos. Na verdade, ao contrário do que é usualmente afirmado, os filmes eróticos estão tão ou mais assentes em preconceitos machistas e em clichés do que os filmes pornográficos. As críticas que são dirigidas aos filmes pornográficos como filmes que “não interessam às mulheres”, que são “feitos por homens e para os homens” são vulneráveis a dois tipos de críticas. &lt;br /&gt;Em primeiro lugar, os filmes eróticos, muitos deles pelo menos, são ainda mais machistas” e dirigidos a homens (ou a estereótipos de homens, homens heterossexuais). Note-se, por exemplo, a omnipresença nos filmes eróticos das cenas de ménage à trois, com duas mulheres e um homem, típico “sonho estereotipado” de todo o homem que se quer afirmar másculo e heterossexual, por oposição aos filmes pornográficos onde, embora a cena não seja rara, é tão típica, no máximo, como a cena inversa, em que a ménage à trois envolve dois homens e uma mulher, cenário este que nenhum homem afirma apreciar (e obviamente, como os filmes pornográficos são feitos para ser vendidos, numa lógica puramente empresarial, só se pode concluir que estamos perante hipocrisia generalizada, produto do medo de ser considerado homossexual ou “pouco masculino”).&lt;br /&gt;Em segundo lugar, a verdade é que ninguém tem que presumir nada acerca dos interesses “das mulheres”. Para esse efeito nem existem “as mulheres”: já é tempo de ultrapassar as “naturezas” das mulheres e dos homens. Cada mulher e cada homem tem gostos e interesses diferentes dos restantes homens e mulheres e, nesse sentido, nem se deve falar em “filmes” e produtos eróticos ou pornográficos “próprios” dos homens ou das mulheres; nem muito menos presumir, que existe um tipo de sexualidade, tratamento e exibição da sexualidade adequados e típicos de um sexo em geral. Tal como não está na “natureza” das mulheres só gostar da literatura e arte e não gostar de economia ou da engenharia, também não está na natureza das mulheres gostar ou não de determinado acto sexual ou de apreciar determinado tipo de produto com intenção “sexual”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também a crítica de que os filmes pornográficos não têm enredo e que isso é desinteressante para as mulheres, inadequado para as mulheres, que elas gostam de “perceber porque é que se tem relações sexuais” (o tal Conrad Son afirma isto), está sujeito ao mesmo tipo de críticas. Em primeiro lugar, é verdade que os filmes pornográficos não costumam ter qualquer enredo, mas essa crítica só faz sentido se presumirmos que a finalidade que um filme, pornográfico ou erótico, teria que realizar, seria a de “contar uma história”, de justificar com um enredo os actos sexuais que se vêem. Ora, se a finalidade for apenas excitar os que visionam ou ajudá-los em actos de masturbação (espero que ninguém fique chocado por dizer o óbvio), não se vê porque é que necessariamente tem que haver enredo. Em segundo lugar, muitos filmes eróticos são fraquíssimos na parte do enredo. Na verdade, as histórias são tão toscas e superficiais que não convencem ninguém e são puro enfado (mais valia que nem lá estivessem, “matando” como matam, pela sua pobreza e boçalidade, todo o efeito de excitação). Em terceiro lugar, esta ausência ou superficialidade dos enredos não é nada de necessário, de intrínseco à natureza do filme pornográfico (ou erótico). Quem quiser pode produzir filmes pornográficos com um bom enredo. Aliás, talvez fosse mesmo interessante ver filmes que combinassem ambas as coisas: o sexo explícito e o enredo complexo e interessante, em vez de continuar o filme pornográfico a ser ostracizado como um “não-filme”. Em quarto lugar, novamente, creio que não se deve presumir nada acerca de uma pretensa natureza das mulheres e dos seus gostos e preferências. Algumas preferem sexo explícito, filmes pornográficos sem muito enredo e com muita “acção”, como auxiliar à excitação, em vez de filmes eróticos que lhes possam saber a pouco. Têm direito a esses gostos, têm direito a ser como são e a não serem consideradas “piores mulheres” ou “menos mulheres” do que as restantes por isso. Ao falar nas preferências das mulheres como algo de natural, inerente à sua “feminilidade” (se é que isso existe), está-se implicitamente a “desfeminilizar” algumas mulheres que saiam desse estereótipo. No fundo, é uma forma de repressão e ostracização de mulheres que não estejam conformes ao estereótipo. Isso sim, é perpetuar uma sociedade machista e assente em preconceitos acerca de uma pretensa natureza da mulher. É forçar as pessoas a “normalizarem-se”, é pressioná-las no sentido da negação das suas tendências. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho dito! Arre! (Voltarei às “sexualidades” noutro dia)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-4528980118310216976?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/4528980118310216976/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=4528980118310216976' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/4528980118310216976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/4528980118310216976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2007/06/sexualidades-1.html' title='Sexualidades (1)'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-9163977131315033723</id><published>2007-04-17T13:17:00.000-07:00</published><updated>2007-05-10T17:39:18.118-07:00</updated><title type='text'>Reflexões a propósito de uma conferência de um neo-liberal</title><content type='html'>Recentemente estive presente numa conferência do economista Jorge Braga de Macedo, antigo ministro das finanças de Cavaco Silva. O texto que serviu de base à mesma versava sobre a história da mudança do regime cambial em Portugal rumo ao euro. Na verdade, acabava por abordar outras questões bem mais abrangentes. Provavelmente o ponto essencial, para lá das questões técnicas, era a afirmação do autor de que Portugal até teria um potencial exportador muito bom em função da sua localização geográfica. Se esse potencial não se tem realizado ao longo destes 30 anos a razão reside na fraca produtividade e (pasme-se) na subida incomportável dos salários que se verifica em Portugal, por oposição aos outros países. E, em última análise, isto deveu-se ao facto de não se ter efectuado as necessárias "reformas estruturais" na administração pública. A constituição portuguesa antes da revisão constitucional de 1989 (a segunda, que "limpou" a constituição, sobretudo na parte económica, do seu compromisso socialista e do seu vocabulário marxista... permitindo nomeadamente as privatizações) merece-lhe o título de "estalinista". À maneira de todos os neo-liberais à la Nozick e Hayek acredita que a liberdade de constituir e deter empresas, de assalariar (isto é, de roubar trabalho alheio) é o fundamento das outras liberdades, um "seguro" contra as "ditaduras" políticas. No final, parece que a única alternativa para o país é continuar com as "reformas", isto é, com o despedimento e outros estratagemas que permitam poupar nos salários dos funcionários públicos (parece que vê com muito bons olhos a possibilidade de os funcionários públicos colocados nos quadro de excedentários se verem privados ao fim de 6 meses de 1/3 do seu salário). &lt;br /&gt;Não surpreende a receita neoliberal do costume. Afinal, trata-se de um ex-ministro de Cavaco.&lt;br /&gt;Poderei não ser um especialista em economia. Ainda assim, toda esta análise parece-me extremamente enviesada e os rumos propostos por Braga de Macedo constituem o que eu considero ser uma estratégia profundamente errada e denotam uma insensibilidade social e ética absolutamente chocante.  &lt;br /&gt;Na argumentação que agora se segue recorro a dados e argumentos retirados em grande medida dos artigos do economista Eugénio Rosa. &lt;br /&gt;Em primeiro lugar, a afirmação de que os salários têm aumentado "descontroladamente" (a expressão é de Braga de Macedo) em Portugal, por contraste com o que sucederia no resto da Europa, parece pouco consentânea com os dados do Eurostat mais recentes que indicam que o peso das remunerações (que inclui salários mais contribuições obrigatórias para a segurança social efectuadas pelo patronato) no PIB tem diminuído em Portugal desde 2002, de forma contínua e relativamente acentuada. O país tem acompanhado a tendência europeia para essa queda, de resto, em virtude (presumo) do arrefecimento do crescimento económico em toda a zona euro (ainda que, como se nota, este não afecte todos com a mesma intensidade, sendo que alguns, como a banca, parecem até prosperar), mas também, provavelmente, do tipo de políticas anti-sociais que as terceiras vias têm prosseguido um pouco por toda a Europa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todo o caso, nota-se que a percentagem do PIB que se traduz em remunerações do factor trabalho em Portugal é menor (como foi quase sempre, excepto nos anos imediatamente posteriores à Revolução) do que a idêntica percentagem média da UE, quer a 15, quer a 25 países. Em Portugal, em 2007, prevê-se que as remunerações representem 47,3% do Pib. Na UE a 25, a média prevista do valor das remunerações em relação ao PIB é de 48,7% e, na UE a 15, 49,2%. &lt;br /&gt;Mesmo quando em 2002, o peso das remunerações no PIB atingiu o valor máximo dos últimos 10 anos (pelo menos), chegando aos 50,0%, este valor continuava a ser ligeiramente inferior à então média da UE a 15 e mesmo a 25. São estes dados que têm sido escamoteados pela comunicação social. Daniel Amaral, escrevendo no Expresso, resolveu ignorar estes dados e apresentar outros, expostos sem o rigor técnico devido (que Eugénio Rosa assinalou, valendo-lhe este seu compromisso com a verdade tratamento indigno e insultuoso da parte do citado jornalista). Tentava assim Daniel Amaral (tal como Braga de Macedo nesta conferência que ora comento) criar a falsa imagem de um país onde os trabalhadores seriam uns verdadeiros nababos, refastelados em ociosa opulência. Porém, esse é um mundo de fantasia e qualquer um de nós, mesmo não armado de estatísticas como as do insuspeito Eurostat, percebe que essa imagem é dificilmente compatível com o que se sente quotidianamente, empiricamente, com os salários a terem cada vez menor poder de compra. Em particular, os funcionários públicos têm sido particularmente vitimados por congelamentos salariais e por aumentos salariais significativamente abaixo do valor da inflação desde o governo de Durão Barroso até hoje. Estima-se, aliás, que os seus salários poderão ter perdido até 10% do valor real nestes últimos 7/ 8 anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, de resto, o problema de fundo com a argumentação de Braga de Macedo e outros economistas do mesmo jaez é que efectivamente só conseguem vislumbrar um "modelo de desenvolvimento" e uma estratégia de crescimento: é o modelo de baixos salários, associado a baixas qualificações de trabalhadores e empresários, onde predominam actividades produtoras de fraco valor acrescentado, e onde medram empresários aldrabões, gestores incompetentes principescamente pagos e fuga ao fisco sistemática e debilitante da capacidade de angariação de receitas. &lt;br /&gt;Na verdade, ao contrário do que pensam e dizem os economistas liberais, este é o "caminho fácil", o caminho do cobarde. Porque insiste na injusta culpabilização dos trabalhadores e ao atacá-los, ataca os mais fracos, cedendo pelo contrário aos fortes, ao patronato e à estratégia mais fácil. Insuspeito de sofrer de "esquerdismo radical", Basílio Horta (dirigente do CDS) retorquia recentemente ao discurso panfletário e neo-liberal de Sérgio Figueiredo (na função de seu entrevistador) que as leis laborais portuguesas não eram particularmente rígidas (ao contrário do que sempre alega o patronato) e que não podíamos (nem devíamos) apostar na tentativa de competir pela via salarial com os países do leste europeu (quanto mais da China ou Índia). Em última análise, havia que investir no aumento da produtividade, na organização empresarial mais racional, na escolha criteriosa dos investimentos, apostando na conquista de nichos inexplorados de mercado. Tudo isso só seria possível com mais formação, dos trabalhadores, por certo, mas, também (e sobretudo, diremos nós) dos gestores, cuja qualidade e competência, salvo raras excepções, seria deplorável no panorama nacional. De referir a este propósito que, se os trabalhadores portugueses têm um nível de escolaridade médio baixo (11º ano completo) no contexto da União Europeia, o nível médio de escolaridade dos nossos empresários é inqualificavelmente baixo, bem mais baixo do que o dos seus assalariados. Fica-se pelo 7º ou 8º ano de escolaridade! Para quem se espante com a crueza destes números, faça um apanhado mental do empresário típico português, que se pode ver no dia-a-dia. Pense-se, por exemplo, nos construtores civis. Tal como surgiram edifícios como cogumelos nas maiores cidades portuguesas, da mesma forma surgiram os construtores civis, um exército de homens rudes, sem outra competência senão a falta de escrúpulos (indispensável para poder explorar da forma mais impiedosa possível os imigrantes ilegais em condições precárias) e a capacidade e descaramento para ludibriar a máquina do estado, fugindo ao pagamento dos impostos, das contribuições para a segurança social e da inspecção do trabalho. &lt;br /&gt;A baixa produtividade portuguesa não se prende com salários galopantes nem legislação laboral muito rígida (tão rígida é que, segundo dados do INE, mais de 21,3% dos assalariados portugueses estão sujeitos a contratos de trabalho precários, colocando Portugal num vergonhoso 3º lugar da precariedade na U.E., ao mesmo tempo que enxameiam também no mercado de trabalho português a praga dos contratos de trabalho a tempo parcial). Como assinala Eugénio Rosa, a baixa produtividade das empresas portuguesas prende-se, antes de mais, com o próprio perfil produtivo do país, assente em sectores de baixo valor acrescentado (retirado do Avante!, de 10-5-2007). Apontam no mesmo sentido, não obstante provirem de diverso quadrante ideológico, as afirmações do economista Pedro Lains, tal como relatadas na revista Visão, nº 722, em Janeiro de 2007: “(…)Os portugueses aumentaram significativamente os gastos em «serviços e construção que representam cerca de 70% do PIB nacional». O problema, sublinha Pedro Lains, é que «são sectores com produtividades muito baixas». &lt;br /&gt; Fortes com os fracos, e fracos com os fortes, optando pela subserviência a esta estratégia facilitista (para os interesses dos empresários), os governos portugueses têm escolhido simultaneamente o desinvestimento na educação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ataque cerrado aos professores, destruindo direitos (de forma retroactiva inclusive) vai ditar a inevitável decadência do sistema de ensino português (a não ser que se inverta o rumo actual de forma radical). Com professores desmotivados (os que ainda lá estão), exaustos por terem que permanecer numa das profissões mais desgastantes das modernas sociedades por muitos mais anos do que aqueles a que estavam legalmente obrigados (antes das reformas legislativas de Manuela Ferreira Leite e posteriormente do executivo Sócrates), com menos reduções horárias, mais turmas por professor e mais alunos por turma, os alunos terão um ensino pior, muito mais fraco. &lt;br /&gt;Porém, mais grave ainda do ponto de vista prospectivo, os futuros professores não poderão deixar de ser de muito pior qualidade do que os anteriores. Ser professor, com o actual estatuto profissional degradado, com profunda insegurança no emprego, com um exército industrial de reserva a engrossar e pressionar mais e mais, com níveis salariais baixos para a maioria dos professores excepto para os que consigam favores políticos (porque é nisso que redunda a pseudo "avaliação por mérito" com quotas máximas)- ser professor nestas condições, dizíamos, deixou de ser uma opção para quem seja realmente uma pessoa competente, racional e inteligente. Muito trabalho, poucos direitos e nenhum prestígio (e é esse o novo estatuto do professor) não atraem ninguém senão os que não puderem optar por outros rumos. Este novo estatuto servirá como um verdadeiro filtro, deixando passar o que é bom para o sector privado e/ou para outro tipo de empregos e retendo para o sistema de ensino público apenas os piores licenciados.  Mas isto não nos deve surpreender. Porventura não foi a ministra da educação quem afirmou que "para ser professor não é preciso saber muito"? &lt;br /&gt;Simultaneamente, o ensino superior não escapa à política neo-liberal e às tendências para o verdadeiro facilitismo. Agravam-se assim as perspectivas para o futuro. Pese embora toda a retórica repetida sobre "mais e melhor" qualificação dos portugueses, pese embora todo o discurso ambíguo sobre mais e melhor preparação para o "mercado de trabalho" a ser prestado pelas faculdades, a verdade é que as nossas faculdades deparam-se ano após ano com dotações orçamentais cada vez mais restritas, com corpos docentes exíguos e sujeitos, não raras vezes, a relações laborais precárias. Seabra Santos, reitor da Universidade de Coimbra afirmou recentemente que o Estado Português investe no ensino superior proporcionalmente cerca de 20% menos do que a média dos países da U.E, mas que, simultaneamente, as propinas representam, em percentagem do rendimento per capita, cerca de 3 vezes mais do que a média praticada nos mesmos países. Além disso, a acção social em Portugal ficaria muito aquém do que se pratica no resto da U.E. Observações de cariz idêntico têm sido feitas igualmente por pessoas como André Freire que, muito provavelmente concordaria (como eu concordo) com outra afirmação de Seabra Santos: &lt;br /&gt;“ Atendendo ao atraso de que partimos é mesmo imperioso que pensemos em ultrapassar essa média [europeia de investimento no ensino superior] o mais depressa possível. Atingir 1,4 ou 1,5 do PIB em Orçamento anual do ensino superior é o objectivo mínimo de médio prazo compatível com o paradigma de desenvolvimento económico e social em que queremos integrar-nos” &lt;br /&gt; Estes problemas não parecem relevantes para Braga de Macedo. Braga de Macedo insiste nos problemas que um orçamento desequilibrado pode comportar. Também insiste nos efeitos da inflação (que a despesa pública descontrolada promoveria): ela “amordaça” governos (e pessoas), “comendo” receitas (e salários), inviabilizando projectos iniciais que se haviam desenhado e tinham sido pensados em função de determinados níveis de preços que de repente são ultrapassados. &lt;br /&gt;Esquece-se o dito professor que numa situação de recessão económica o investimento e a despesa pública devem crescer, justamente para contrariar o ciclo de desaceleração? Que a acção estatal deverá agir em contraciclo, “puxando” o sector privado, criando procura e gerando confiança? A manutenção da situação de recessão económica, o definhamento e morte das empresas, o desemprego crescente (e a subsequente queda na procura interna), não irão, em última análise, contribuir para o próprio desequilíbrio das finanças públicas, ao reduzir as receitas fiscais provenientes de assalariados, empresas e até dos impostos sobre o consumo?&lt;br /&gt;Em última análise, o problema até é mais profundo.&lt;br /&gt;A divergência entre esquerda e direita, em termos um tanto ou quanto simplistas, reside na resposta a esta questão: as pessoas deverão ser meios para o crescimento económico ou deverá ser este um meio para atingir a satisfação das necessidades humanas, em particular daqueles que não têm algumas das mais básicas asseguradas? Se a prioridade for o ser humano (os seres humanos concretos) muitas destas propostas, que acabam por traduzir-se na destruição de direitos (humanos, humaníssimos!) sociais básicos, não poderão ser sequer consideradas. Se a prioridade for a satisfação das necessidades dos seres humanos e a realização das suas capacidades, nunca se poderá qualificar os funcionários públicos de “gordura do estado” como o fez, entre outros, o venenoso Medina Carreira, nem se poderá despudoradamente acusar os mesmos de serem privilegiados, para depois igualar os seus direitos “por baixo”, com os trabalhadores do sector privado.&lt;br /&gt;Nunca se poderia sugerir, como já se sugeriu, que se concedesse uma isenção fiscal total sobre as multinacionais (como se fez na Índia – e a escolha do exemplo, feita por uma colunista do expresso, é reveladora do tal modelo de sociedade e desenvolvimento de que falávamos) no intuito de atraí-las para o território nacional. Note-se que esta proposta era acompanhada de uma outra, segundo a qual todos os abatimentos aos impostos sobre os rendimentos de trabalho em virtude de despesas de saúde e educação que hoje se permitem nas declarações de IRS, deveriam ser eliminadas do ordenamento jurídico português e isto porque, na argumentação da referida colunista do expresso, o sistema fiscal deve ser visto como um meio de obter receitas e não como um instrumento de justiça social. &lt;br /&gt;O governo Sócrates aplica esta mesma lógica na sua política social e económica. Fala em crescimento económico e no desenvolvimento dessa entidade abstracta que é “o país”. Porém, por trás desse “país” esconde-se o real objecto do interesse dos maiores partidos portugueses: trata-se do grande capital, dessa casta de empresários que domesticou e domina agora, tão completamente como nunca antes, a democracia portuguesa. Sim, os grandes interesses económicos dominam o sistema político português. Se tal sucede, contra a intenção e letra da constituição de 76, é porque as políticas sucessivas dos governos em que  PS, PSD e CDS se revezaram, sempre ao arrepio das determinações constitucionais, restauraram os grandes grupos económicos e o seu poder. A médio prazo, as classes dominantes do pré-25 de Abril, por um momento abaladas pelas conquistas revolucionárias, reconquistariam necessariamenteo seu antigo papel. A própria Social-democracia enquanto projecto sócio-económico, já foi abandonado pelos seus iniciais defensores e construtores. O PS, derrotado o socialismo e afastado o período revolucionário, passou a nível discursivo e prático de progressista a social-democrata, apenas para agora abraçar alegremente um neo-liberalismo mal disfarçado.  Não que o PS tenha alguma vez sido outra coisa que não um partido burguês na sua essência, nem que o capitalismo tenha deixado de ser o modo de produção socialmente dominante na formação social portuguesa, mas é certo que nos primeiros tempos, por necessidade táctica e oportunismo político, o PS recorreu a uma retórica emancipadora (até o PSD o fez, no período imediatamente pós-revolucionário), anunciando o socialismo como um objectivo e repudiando “o caminho daqueles movimentos que dizendo-se social-democratas ou até socialistas, acabam por conservar, deliberadamente ou de facto, as estruturas do capitalismo e servir os interesses do imperialismo” (citação retirada da declaração de princípios, logo no início do programa do partido socialista de 1976).  &lt;br /&gt;Assim o disse e o inverso fez. &lt;br /&gt;Gradualmente todo o progressismo foi sendo eliminado dos programas e sobretudo das práticas dos governos. A dominação do capital foi-se fazendo mais e mais profunda; os órgãos de comunicação social foram-se tornando mais e mais descaradamente a voz do dono, o pensamento único fazendo-se mais e mais pesado. E tudo isto era previsível…justamente porque as estruturas do capitalismo foram conservadas por um PS que nunca foi, na prática, menos burguês do que os seus congéneres europeus que em 76 criticava (com acerto).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-9163977131315033723?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/9163977131315033723/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=9163977131315033723' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/9163977131315033723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/9163977131315033723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2007/04/reflexes-propsito-de-uma-conferncia-de.html' title='Reflexões a propósito de uma conferência de um neo-liberal'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-116546010863318934</id><published>2006-12-06T17:02:00.000-08:00</published><updated>2006-12-14T19:58:13.140-08:00</updated><title type='text'>Mais alguns exemplos concretos do que significa a ditadura informativa sob a "democracia burguesa"</title><content type='html'>Em primeiro lugar, queria relatar na primeira pessoa aquilo que pude observar com os meus próprios olhos na "independentíssima" e isenta BBC (BBC World no caso) no dia (na noite/madrugada, para ser mais preciso) da vitória eleitoral de Rafael Correa (noite de 30 para 1, se não estou em erro). &lt;br /&gt;Enquanto fazia zapping, parei pelo canal BBC World ao notar que se falava das eleições no Equador. Sabia, por notícias que lera alguns dias antes, que o candidato da esquerda estava bem colocado nas sondagens. Estas pareciam dar um empate técnico entre este e o candidato da direita, o empresário Noboa. Buscava, pois, perceber qual fora o resultado eleitoral. Mas não consegui. Tinha acabado de mudar e, enquanto tentava apanhar o fio à meada, ainda a apresentadora falava, o telejornal foi interrompido abruptamente, sem sequer se colocar a música e o genérico do telejornal BBC, como soe suceder. Sucedem-se 3, 4 minutos de intervalo (preenchidos com alguma publicidade, creio). Retomou-se o telejornal, mas agora apenas para ver as headlines acompanhadas de imagens do dia. Nenhuma referência às eleições no Equador nas mesmas headlines. No dia seguinte, fico a saber que ganhou Correa, o candidato da esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Na Venezuela, os "democráticos opositores" a Chávez( os tais que organizaram um golpe de estado falhado que, a ter sucesso, dissolveria todos os poderes democraticamente eleitos e constitucionalmente consagrados no país, colocando à frente do mesmo, como presidente interino, um dos maiores empresários do país e presidente da confederação patronal) usam dos media privados para divulgar as mentiras mais grosseiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sempre, quando os seus verdadeiros interesses sócio-económicos são postos em causa, a burguesia não hesita em pôr de lado qualquer compromisso com a verdade e com a democracia. A isenção jornalística de que tanto se gabam é a primeira vítima e o verniz democrático estala, pondo a nú como a "democracia" só lhes interessa na medida em que seja controlável e domesticável. Na verdade, não é o ideal da democracia que perseguem, mas apenas o método mais adequado de dominação ideológica. Uma teia de mentiras combinada com a aparente (e nada mais do que isso) liberdade individual e soberania popular são o suficiente, normalmente, para controlar eficazmente o verdadeiro pluralismo de projectos políticos, afastando os que ameacem a estrutura sócio-económica vigente e os interesses das classes dominantes. Não há melhor dominação do que a imperceptível ou discreta. &lt;br /&gt;Mas a histeria já tomou conta da oposição a Chávez.&lt;br /&gt;Aqui fica um pequeno exemplo de manipulação que, de tão grosseira, tem algo de pueril. Recentemente uma sondagem realizada em cooperação por uma empresa venezuelana e professores da Universidade Complutense de Madrid dava uma vantagem de entre 15 a 20% a Chávez face ao seu adversário de direita, Manuel Rosales. Confrontada com tantas sondagens que indicavam a vitória clara de Chávez, inclusive das provenientes de "amigos americanos", a reacção perdia legitimidade para brandir o falso argumento  do costume: a alegação de fraude após as eleições. Pois bem, havia que colocar em causa o resultado da sondagem...atacando os seus autores. &lt;br /&gt;A 16 de Novembro, no programa "Aló Cidadão" na Globovisión (televisão privada), a apresentadora, Maria Isabel Párraga, afirma categoricamente que a investigadora da Universidade Complutense de Madrid responsável pela apresentação pública dos resultados, Carolina Bescansa, não é quem diz ser: no website oficial da universidade faz uma busca entre o corpo docente da mesma em busca de Carolina "Descansa" (troca o B por um D). Obviamente, nada encontra, pelo que fica confirmado para os seus telespectadores que a sondagem é obra de falsos professores universitários e daí conclui-se que a fidedignidade da mesma é nula. O diário El Nacional repete a mentira. Agora a "falsa" professora chama-se Carolina "Bescans". Outros jornais anti-chavistas repetem a mesma dose. A situação chegou a um ponto tal, que é a própria universidade Complutense de MAdrid que ,em comunicado, vem repôr a verdade, afirmando a pertença de Carolina Bescansa ao corpo docente e censurando a conduta destes órgãos de comunicação social que só aceitam o que lhes convém ouvir.&lt;br /&gt;Para mais detalhes: www.rebellion.org/noticia.php?id=42025&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a maioria dos casos são mais "discretos", menos visíveis. A mentira bem contada (i.e., credível) passa por dar factos verdadeiros, de preferência apenas dados verdadeiros. A negação de factos pura é pouco eficiente. Essencial é a omissão (não a negação) de factos e a descontextualização das situações em que ocorrem outros. &lt;br /&gt;Iñaki de Juana Chaos, condenado a 12 anos de prisão por escrever dois artigos em que ataca o sistema judicial e sobretudo carcerário espanhol, bem como os políticos e homens da direita franquista que pululam na política, na guardia civil e no aparelho de estado espanhol. Como se passou isto? Aplicando um verdadeiro Direito Penal do Autor: isto é, quem escreveu os artigos é um ex-etarra (que já cumpriu longa pena por actos terroristas) e por essa razão, pelo tipo de "psicologia", pelo tipo de pessoa que é, os seus actos são valorizados de forma diferente. A pessoa não é julgada pelos actos em si, mas pelo tipo de pessoa que é ou se supõe ser. Qual o destaque dado a uma notícia destas? Ela surgiu em algum jornal português? Na espanha, qual a relevância dada a este escandaloso procedimento? E qual o destaque dado a tantos milhares de arbitrariedades e abusos de direitos humanos, denunciados por algumas organizações defensoras de direitos humanos? A partir de certa altura torna-se desnecessário até insistir muito nestas manobras. A manipulação criou já quadros mentais, grelhas interpretativas do mundo suficientemente deformadas para que poucos, senão apenas os mais activos e denodados na investigação da verdade, consigam ver alguma coisa para lá do nevoeiro denso. Mesmo que saia uma ou outra notícia em que "os bons" ajam mal e os maus "ajam bem", toda a gente sabe que os maus são maus. Ou seja: fazem maldades, pois claro; são anti-democráticos e contrários aos direitos humanos, eventualmente até por princípio; e quando fazem algo de bom é uma consequência indirecta e não querida, ou trata-se apenas de "propaganda" para desviar as atenções. E toda a gente sabe que os bons são bons (o que quer dizer que mesmo que não sejam muito "bons", o seu "reino" dá origem à "bondade possível e o "mal" que façam será sempre um "erro", um desvio extraordinário e temporário). Na verdade, dando-se a conhecer uma ou outra dessas notícias "discordantes" até se aumenta a capacidade de manipulação, reforçando-se a ilusão tão arreigada de que efectivamente há ou pode haver real "pluralismo de perspectivas" num sistema de propriedade privada capitalista dos meios de comunicação. Para esta notícias ver:  &lt;br /&gt;http://www.gara.net/pf_idatzia/20061109/art188159.php&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como dizíamos, a partir do momento em que se cria um quadro interpretativo da realidade na mente da maioria dos cidadãos, constituindo o passo decisivo para tal, o instilar da própria crença na neutralidade, isenção e carácter "não ideológico" ou "não dominador" dos media, a dominação torna-se facílima. Agora, Para escapar a este verdadeiro "matrix" não há comprimido que valha. Só uma atitude profundamente crítica, regra geral estimulada ou desenvolvida a partir de certos círculos sociais minoritários (eles próprios ostracizados pelo silêncio e pela manipulação dos aparelhos ideológicos do estado), constituídos por indivíduos críticos ou pelo menos com perspectivas divergentes das dominantes, é que nos pode salvar (e nunca totalmente) das "cataratas" (no sentido médico) informativas.&lt;br /&gt;Regra geral, as pessoas nem estão despertas para a possibilidade de os media poderem manipular (deliberadamente ou não) e nem detectam a carga ideológica e o potencial formatador que o uso desta ou daquela expressão, deste ou daquele adjectivo, carregam.&lt;br /&gt;O UÇK foi apresentado como um "movimento de libertação" dos albaneses (e não uma organização nacionalista-xenófoba, querendo limpar etnicamente territórios pertencentes historicamente a outros países, no intuito de formar uma grande e gloriosa albânia). Já quanto ao Hamas, nunca vi que o classificassem de "movimento de resistência" (quanto mais de "libertação"). Na verdade nunca ouvi que tivessem direito a outro título que não o de terroristas. As palavras e os adjectivos não são inocentes. Curioso foi perceber como a atitude em relação ao UÇK mudou quando este começou com actividades terroristas na república da Macedónia...Os bons são bons, mas se atacarem "outros do clube dos bons" passam a ser maus ou censuráveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora um exemplo de como se pode ser faccioso, de como se pode estar completamente mergulhado numa perspectiva completamente simplista, maniqueísta e deformada da realidade e como assim se reproduz e perpetua, enquanto jornalista, essa mesma perspectiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A entrevista ao presidente ahmadinejad do Irão por um jornalista americano da CNN aquando do seu discurso na ONU, em Nova Iorque, era acompanhada no televisor pela passagem de texto mais abaixo. Tratava-se de citações descontextualizadas e cirurgicamente escolhidas da entrevista. O caso talvez mais flagrante foi o seguinte. O jornalista sugere que o  presidente Ahmadinejad seria um negacionista do Holocausto judeu e convida-o a responder à acusação. Da resposta, longa, mas no seu conjunto clara, retira-se este trecho que isolado pareceria "bombástico": "Diga-me: se houve holocausto onde foi que aconteceu?". Diríamos, pois, caso não houvessemos ouvido tudo o que precede e sucede a estas palavras, que efectivamente o presidente do Irão nega o Holocausto. Nada de mais errado. O que ele diz é que o Holocausto ocorreu na Europa, não na Palestina, não no mundo árabe ou muçulmano. E isto porque se usa e abusa da memória do holocausto para justificar a política israelita. No fundo, a questão que Ahmadinejad levanta, bastante razoável, é somente esta: que têm os palestinianos a ver com o Holocausto, porque têm que pagar os árabes palestinianos pelos pecados dos europeus? Se se sentiam e sentem mal com as suas responsabilidades, os estados europeus que tivessem oferecido parte do seu território após a 2ª guerra mundial. Não podiam nem podem oferecer a terra dos outros, nem muito menos oferecer a vida e dignidade doutro povo para o "holocausto" (holocausto quer dizer sacrifício...o sacrifício de animais que se costumava praticar no culto hebraico) às mãos de nazis israelitas como Sharon. De resto, ao longo de toda a entrevista o entrevistador comporta-se não como tal, mas como inquisidor ou cruzado medieval, tentando desferir "golpes luminosos" sobre aquele que considera não "um entrevistado", mas um herético encapotado ou um mesmo um inimigo sorrateiro, um demónio hábil. Repete as mesmas perguntas vezes e vezes sem conta, após ter tido respostas frontais e cabais. E qual a razão? Ele "sabe" (ele julga) que Ahmadinejad só pode ser anti-semita. Esse é o maior pecado que pode haver à face da terra desde que os judeus passaram a ter o estatuto de "super-vítimas" (vide o livro de N. Finkelstein: "a indústria do holocausto"). Sabendo-o, não pode aceitar que ele (ahmadinejad) não responda aquilo que ele(entrevistador) quer: a admissão do pecado. Escusando-me a juízos de valor mais gerais sobre o presidente do Irão, diria que teve ao longo de todo a entrevista uma postura corajosa, desafiadora e digna, ao contrário do seu entrevistador.&lt;br /&gt;Veja-se outro exemplo quase cómico (e mais subtil) também retirado de uma informação da CNN, a 29 de Outubro deste ano: "Lula, apesar de ter sido o candidato da esquerda empenhou-se em manter a economia do país «à tona»". Será que a esquerda não consegue ou não quer manter a economia do país "à tona"?  &lt;br /&gt;O diário "el mundo" de 15 de Outubro afirma que entre as vítimas do terrorismo do movimento "Sendero Luminoso" se devem contar os assassinatos que o exército peruano, no seu combate ao movimento, perpetrou em aldeias que se supunham apoiantes do mesmo"&lt;br /&gt;Pergunto eu: e, já agora, seguindo na mesma lógica tortuosa, os judeus resistentes do gueto de varsóvia não devem ser considerados responsáveis pela morte de todos os judeus do leste europeu, na medida em que ao resistirem aos nazis, estimularam ainda mais a repressão e ímpeto exterminacionista nazi? E os comunistas, pelo simples facto de existirem não são culpados de todas as mortes (de qualquer dos lados)na 2ª guerra mundial? Afinal, é verdade que o nazi-fascismo é uma reacção das classes dominantes ao medo da revolução socialista...&lt;br /&gt;ver: &lt;br /&gt;http://www.rebelion.org/noticia.php?id=40818&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só para que se note até onde pode chegar a discrepância abjecta de tratamento de factos do mesmo calibre conforme os "praticantes" do mesmo, deixem-me aborrecer-vos com mais este exemplo. &lt;br /&gt;Sakharov, físico soviético que passou efectivamente dados sobre o programa nuclear soviético ao governo dos EUA foi condenado a permanecer em prisão domiciliária (n sei se por 20 anos, não sei se a título perpétuo)...O escândalo, a insistência dos media "ocidentais" no tema foi tremenda. Era a prova definitiva do carácter tirânico do regime. Compare-se com a condenação à morte do casal Rosenberg nos EUA por crime do mesmo tipo. Mas, para que não se diga que isto é "uma velharia" do tempo da guerra fria, veja-se um caso tão ou mais chocante. O do físico israelita Vanuanu que revelou a um jornal inglês o que há muito se desconfiava: que Israel possui inúmeras bombas atómicas e um programa nuclear no qual ele próprio participou e que, portanto, conhece "por dentro". Este homem, por este facto, por este simples facto e não por ter revelado tecnologia ou detalhes do programa nuclear israelita, foi condenado a 18 anos de prisão, 12 deles passados em solitária (compare-se isto com a prisão domiciliária de Sakharov, que, por horrível que seja - e é- implicava viver todos os  com a família em condições relativamente confortáveis). Para quem não saiba, recentemente Vanuanu foi novamente preso porque continuava a dar entrevistas (apesar de estar proibido de o fazer - democraticamente, claro está, porque Israel é um país democrático) a jornalistas no mosteiro donde não estava autorizado a sair. Que destaque foi dado na altura ? Minúsculo. As suas revelações despertaram parca atenção e nenhum medo ou pânico (compare-se com os casos actuais do Irão e Coreia do Norte). Ainda assim...foi por pouco tempo. Da sua segunda prisão quase não se encontrará referências na imprensa escrita...quanto mais nas televisões. E sobretudo, perante este e outros casos, nunca se coloca a questão realmente incómoda, nunca se adianta que estes comportamentos sejam "anti-democráticos" e muito menos se ousa pensar (e dizer) que Israel possa não ser democrático.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-116546010863318934?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/116546010863318934/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=116546010863318934' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/116546010863318934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/116546010863318934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2006/12/mais-alguns-exemplos-concretos-do-que.html' title='Mais alguns exemplos concretos do que significa a ditadura informativa sob a &quot;democracia burguesa&quot;'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-116120665315329028</id><published>2006-10-18T12:33:00.000-07:00</published><updated>2006-12-03T18:13:51.453-08:00</updated><title type='text'>História de um silenciamento ou crónica da má-fé no debate sobre educação</title><content type='html'>A propaganda de mentiras boçais e a demagogia de má fé atingiu níveis impressionantes nos media portugueses, em particular quando se entra na discussão acerca da educação e das políticas actuais do ministério da educação face aos professores. &lt;br /&gt;A ministra disse (e curiosamente sempre que ela surge, nunca surge também um representante sindical que possa contrapôr os seus medíocres e falsos argumentos) que a greve não fazia sentido, pois o processo negocial está ainda em curso. Acrescentou ainda que o ministério já apresentara 3 propostas para o Estatuto da Carreira Docente, enquanto que os sindicatos apenas haviam apresentado uma. &lt;br /&gt;A fazer fé no que a ministra diz, o ministério mostra-se flexível e aberto ao diálogo perante uma cambada de malandros intransigentes que são os professores. &lt;br /&gt;Vejamos o que sucede na realidade. É verdade, com efeito, que foram apresentadas 3 versões do ministério para o novo Estatuto da Carreira Docente. Simplesmente, a segunda versão apresentada não apenas mantinha os aspectos mais graves da 1ª versão, como até era francamente mais gravosa. Introduzia mesmo detalhes absurdos e só compreensíveis enquanto medidas provocatórias. E a verdade é que quando alguém quer negociar tenta aproximar-se das propostas da outra parte. Negociar é abdicar de objectivos iniciais (pelo menos na sua pureza ou radicalidade iniciais) tentando chegar a um meio termo que a outra parte aceite. Não foi isso que o ministério fez. O Ministério não quis negociar. Quis e quer impor simplesmente. E a atitude que teve destina-se a mostrar aos professores o quão desprezíveis são aos olhos do Estado. Para a Ministra da Educação, trata-se de escravos que devem calar-se, reduzir-se à obediência, sob a autoridade do chicote. A terceira proposta, veio corrigir alguns absurdos das inovações previstas na 2ª versão. No entanto, deixou intacto tudo o que é essencial, tudo o que os sindicatos contestaram desde o início. A 3ª versão até continua a ser mais grave do que a 1ª. &lt;br /&gt;Mas as televisões e jornais nacionais nunca explicam uma única desta razões que causam a revolta geral entre os professores (conseguindo, pela primeira vez em 30 anos de história a união de todos os sindicatos, mesmo os mais tíbios e direitistas). &lt;br /&gt;Na TVI, a complementar duas notícias, simplificadoras, mas relativamente "simpáticas" em relação aos professores (comparando com o que se vê nas outras estações de televisão), surge esse grande especialista em tudo e coisa nenhuma, Miguel Sousa Tavares, defendendo a posição do governo. A demagogia não se fez esperar: como é que  se pode entender - diz ele-  que um professor deixe de dar aulas (sic!!!) aos 40 anos, justamente quando adquiriu a experiência e que portanto, estará mais qualificado agora do que antes. Deixar de dar aulas aos 40? Não creio que Sousa Tavares tenha tido um ataque de loucura temporária, pelo que, ou fala sem saber nada do assunto, ou está a recorrer a vergonhosa demagogia que faria inveja aos mestres nazis da propaganda. Actualmente, segundo o ECD vigente, os professores têm direito a uma redução de duas horas no seu horário lectivo ao atingir os 40 anos. Redução de duas horas apenas! (e chama ele a isto "deixar de dar aulas"). A seguinte redução, também de 2 horas, só surge aos 45. O que o novo ECD traz é o fim dessas reduções horárias que bem se justificavam, já que atingidos 20 anos de carreira (e mais) não se pode ter, naturalmente, a mesma resistência física e psicológica. É bem sabido, de resto, que a profissão de professor é das de maior desgaste psicológico. Por certo, muitos destes comentadores e jornalistas pagos a peso de ouro nos media privados, que muito se vangloriam do "stress" da sua profissão ("é sempre a correr, sempre a correr"), não se aguentariam um mês a dar aulas nas condições em que as dão os professores do ensino secundário.   &lt;br /&gt;Mas as pérolas não se ficam por aqui. É surpreendente, na opinião de MST, que não se aceite a "avaliação" dos professores, que não se introduza o "mérito". Concede que é estranho que se queira avaliar do mérito impondo simultaneamente uma quota. Se houver  professores bem classificados, merecendo pelos critérios subir de escalão, mas  ultrapassando o número permitido por essa quota, esses ficarão sempre impedidos de ascender aos ditos escalões superiores (e à categoria de professor "titular"). Mas, - diz-nos MST, como sábio enfadado e imparcial explicando pela milésima vez a multidões de ignorantes e cegos fanáticos -  é bem sabido que se assim não fosse, o resultado seria que todos acabariam por ascender aos escalões superiores (que é o "inevitável" na função pública, acrescenta MST) e seria derrotado o objectivo da avaliação por mérito. &lt;br /&gt;Portanto, se bem entendemos o tortuoso raciocínio, para impedir que a avaliação por mérito seja derrotada, impõe-se um processo burocrático de avaliação, com base em critérios que (necessariamente) ou serão arbitrários ou insatisfatoriamente quantitativos e não qualitativos; processo esse que, admite-o MST, pela introdução de uma quota pré-fixada, também não permite realizar a avaliação por mérito. &lt;br /&gt;Convém não esquecer que quem não ascendesse aos últimos escalãos, isto é, quem ficasse retido na posição de mero "professor" (por oposição aos "professores titulares"), ficaria estagnado num nível salarial baixíssimo. E que a quota máxima em cada escola seria a de 1/3, mas não 1/3 de todos os professores: apenas 1/3 dentre os professores efectivos. &lt;br /&gt;De facto, onde está a razoabilidade desses maladros radicais, os professores, ao contestarem a medida?&lt;br /&gt;Na verdade, como disse Mário Nogueira, das negociações (rectius: das conversações, pois o ministério não negoceia) fica-se com a impressão de que se por acaso os professores propusessem a manutenção do mesmo limite quantitativo(de 1/3 dos professores efectivos) à ascenção aos últimos escalões, mas sugerissem simultaneamente que a escolha dos professores a beneficiar dessa subida fosse feita em função de um sorteio (um saco com bolas tiradas ao puro acaso), por certo o Ministério esfregaria as mãos de contente. Toda a retórica em torno do mérito é claramente um subterfúgio que não consegue ocultar que a única real intenção do ME é o de cortar nas despesas com a educação através do ataque inconstitucional aos direitos sociais dos professores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todo o caso, remata um Sousa Tavares conciliatório,ambas as partes podem e devem chegar a acordo. Tudo é negociável, e se sindicatos radicais e ministra voluntariosa ouvirem e cumprirem com estes conselhos de MST, quais filhos respeitosos de pai bondoso e sereno, por certo chegarão a acordo, acordo esse de que todos beneficiariam. Pois é... mas, tal como dissemos, se alguém há que não demonstra qualquer boa fé nas negociações, esse alguém é Dona Lurdinhas, essa ex-professora do ensino secundário, que não aguentando com o desgaste da profissão (faltando a aulas com tal regularidade a ponto de despertar a censura dos colegas), deu às de vila-diogo, buscando paragens bem mais amenas (nos verdes campos dos boys and girls partidários), onde agora pasta tranquilamente, enquanto tenta fazer da vida dos seus ex-colegas um inferno bem maior do que aquele em que viveu (ou melhor, em que não conseguiu continuar a viver).&lt;br /&gt;Mário Nogueira, dirigente sindical dos professores do centro, tem surgido como uma figura bastante competente e acutilante nas suas críticas e comentários. Contrasta nesse sentido com aquilo que foi a atitude pusilânime e medíocre de dirigentes como Paulo Sucena, agora presidente da Fenprof. No SPGL, apesar de ter ganho a lista A, lista de continuidade, num processo um tanto irregular, a vitória escassa (conseguida apenas com os votos por correspondência), parece ter contribuído para o questionar interno do que as tendências tíbias e "renovadoras" ultimamente produziram. Foi o próprio António Avelãs, agora presidente do SPGL, que avisou que dos resultados haveria que tirar as devidas ilações sobre os caminhos errados trilhados ultimamente. Esperemos que não esteja isolado nas suas preocupações...&lt;br /&gt;Apesar do elogio feito, creio que mesmo Mário Nogueira e os sindicatos estão a descurar um pouco alguns dos problemas fundamentais que este ECD vem agravar. Ao terminar com as reduções de carga horária (por idade, por ensino nocturno, por ocupar postos de responsabilidade -que dão muito trabalho, mais do que a redução horária possa compensar) não apenas ficarão muitos professores com horários zero, mesmo dentro do quadro de efectivos (e a questão coloca-se: o que sucederá com estas pessoas? Qual é o plano do governo para elas?),como também os restantes professores ficarão assoberbados com um horário pesadíssimo, sobretudo com a introdução das inúteis "aulas de substituição". Daí resultará que teremos professores exaustos, desmotivados ao máximo e com aulas mal preparadas por falta de tempo. O ensino sofrerá, não tenhamos dúvidas, uma decadência desastrosa. Digo mesmo mais: no longo prazo, o problema tornar-se-á mais grave. Com tão poucos direitos, tão pouco prestígio e tanto trabalho, quem quererá ser professor? Quem será atraído para esta profissão? Dentro de 30 anos, a manter-se este senda, aplicar-se-á o ditado americano: "quem sabe, faz; que não sabe ensina". Por fim, teremos um ensino público de má qualidade "para pobres" e um ensino privado para as elites. É a degradação do ensino, é o homícidio do projecto da democracia educativa, do direito de todos ao ensino de qualidade. E é mais uma profunda ferida aberta no projecto constitucional de democracia.&lt;br /&gt;Defender os professores contra o novo ECD não é apenas defender uma classe profissional contra um ataque vil e brutal aos seus direitos mais básicos. É defender o ensino público e, em última análise, defender a Democracia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-116120665315329028?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/116120665315329028/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=116120665315329028' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/116120665315329028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/116120665315329028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2006/10/histria-de-um-silenciamento-ou-crnica.html' title='História de um silenciamento ou crónica da má-fé no debate sobre educação'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-115646275018197706</id><published>2006-08-24T16:15:00.000-07:00</published><updated>2006-10-07T09:05:07.920-07:00</updated><title type='text'>De que lado estás?</title><content type='html'>Tenho andado a conhecer a obra de Woody Guthrie, um cantor socialista americano, também ele um "okie", à maneira dos okies descritos por Steinbeck nas "Vinhas da ira". Também ele conheceu a grande depressão e a grande seca (dust bowls). Esta canção fica muito no ouvido...nasceu no contexto de repressão patronal (com rufias armados pelas companhias de extracção mineira). Este era o ambiente típico das relações laborais (sobretudo na indústria mineira) nos EUA. As grandes empresas tinham rufias contratados: faziam-no directamente ou recorrendo a "empresas de segurança" como a Pinkerton (isto é de rufias especializados em espancar, intimidar, matar dirigentes sindicais e trabalhadores mais "teimosos" ou grevistas e em colocar bombas e vandalizar sedes sindicais). Além disso tinham a seu soldo a imprensa (não mudou...), a polícia local, o FBI (o que inclui tanto polícia judiciária como Ministério Público) e até os juízes locais...Foi assim na altura da 1ª guerra mundial em Butte, no Montana, entre os mineiros das minas de cobre e também em Harlan County, no Kentucky, entre os mineiros do carvão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta impõe-se hoje como ontem e permanecerá enquanto houver explorados e exploradores; e retornará sempre com redobrada acuidade quando a luta de classes se tornar mais intensa e explícita.&lt;br /&gt;Quando Spartakus liderou os escravos, quando os camponeses anapabtistas de Munzer queimaram igrejas e expulsaram os senhores feudais, quando Winstanley e os diggers declararam contra monarcas e contra Cromwell que se Deus fez todos os homens iguais, então todos deveriam mesmo ser iguais, quando os "communards" criaram o primeiro precário estado operário sob duras condições, quando em 1917 finalmente se deu uma revolução operária com sucesso (enfrentando inúmeras dificuldades), todos tiveram que responder à questão. Hoje pergunto-te o mesmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DE QUE LADO ESTÁS ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Come all you good workers,&lt;br /&gt;Good news to you I'll tell&lt;br /&gt;Of how the good old union&lt;br /&gt;Has come in here to dwell.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    CHORUS:&lt;br /&gt;    Which side are you on?&lt;br /&gt;    Which side are you on?&lt;br /&gt;    Which side are you on?&lt;br /&gt;    Which side are you on?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;My dady was a miner,&lt;br /&gt;And I'm a miner's son,&lt;br /&gt;And I'll stick with the union&lt;br /&gt;'Til every battle's won.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;They say in Harlan County&lt;br /&gt;There are no neutrals there.&lt;br /&gt;You'll either be a union man&lt;br /&gt;Or a thug for J. H. Blair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh workers can you stand it?&lt;br /&gt;Oh tell me how you can?&lt;br /&gt;Will you be a lousy scab&lt;br /&gt;Or will you be a man?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Don't scab for the bosses,&lt;br /&gt;Don't listen to their lies.&lt;br /&gt;Us poor folks haven't got a chance&lt;br /&gt;Unless we organize.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais informações sobre o contexto desta canção, escrita pela mulher de um desses dirigentes operários perseguidos, enquanto tinha a casa invadida pelo xerife-mercenário da região, J.H.Blair, em busca assassina pelo seu marido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.geocities.com/Nashville/3448/whichsid.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-115646275018197706?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/115646275018197706/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=115646275018197706' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/115646275018197706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/115646275018197706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2006/08/de-que-lado-ests.html' title='De que lado estás?'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-115384140010443749</id><published>2006-07-25T08:13:00.000-07:00</published><updated>2006-07-27T12:24:02.470-07:00</updated><title type='text'>Então a luta de classes acabou?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/2821/1831/1600/salgado_dispute.3.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2821/1831/400/salgado_dispute.2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O poder e dramatismo desta fotografia de Sebastião Salgado sempre me impressionaram. Quando se diz que a luta de classes não faz sentido; que foi um mito produzido nas mentes de "burgueses radicais" que depois o instilaram na mente de alguns trabalhadores e sindicalistas; que não há conflito inerente à sociedade de classes moderna; que o que é bom para uns (capitalistas) é bom para todos (porque quanto mais se produzir, mais haverá para todos); e muitas outras coisas deste género...quando se diz tudo isto, esta fotografia impõe-se, brutal, explícita, exsudando dela a tensão inevitável entre capital (e seus "capatazes") e trabalho, entre explorados e exploradores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-115384140010443749?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/115384140010443749/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=115384140010443749' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/115384140010443749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/115384140010443749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2006/07/ento-luta-de-classes-acabou.html' title='Então a luta de classes acabou?'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-115383964116540834</id><published>2006-07-25T08:00:00.000-07:00</published><updated>2006-07-25T08:00:41.176-07:00</updated><title type='text'>Pedro Pedreiro, penseiro...</title><content type='html'>Pedro Pedreiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chico Buarque&lt;br /&gt;1965&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro pedreiro penseiro esperando o trem&lt;br /&gt;Manhã, parece, carece de esperar também&lt;br /&gt;Para o bem de quem tem bem&lt;br /&gt;De quem não tem vintém&lt;br /&gt;Pedro pedreiro fica assim pensando&lt;br /&gt;Assim pensando o tempo passa&lt;br /&gt;E a gente vai ficanto pra trás&lt;br /&gt;Esperando, esperando, esperando&lt;br /&gt;Esperando o sol&lt;br /&gt;Esperando o trem&lt;br /&gt;Esperando o aumento&lt;br /&gt;Desde o ano passado&lt;br /&gt;Para o mês que vem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro pedreiro penseiro esperando o trem&lt;br /&gt;Manhã, parece, carece de esperar também&lt;br /&gt;Para o bem de quem tem bem&lt;br /&gt;De quem não tem vintém&lt;br /&gt;Pedro pedreiro espera o carnaval&lt;br /&gt;E a sorte grande do bilhete pela federal&lt;br /&gt;Todo mês&lt;br /&gt;Esperando, esperando, esperando&lt;br /&gt;Esperando o sol&lt;br /&gt;Esperando o trem&lt;br /&gt;Esperando o aumento&lt;br /&gt;Para o mês que vem&lt;br /&gt;Esperando a festa&lt;br /&gt;Esperando a sorte&lt;br /&gt;E a mulher de Pedro&lt;br /&gt;Está esperando um filho&lt;br /&gt;Pra esperar também&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro pedreiro penseiro esperando o trem&lt;br /&gt;Manhã, parece, carece de esperar também&lt;br /&gt;Para o bem de quem tem bem&lt;br /&gt;De quem não tem vintém&lt;br /&gt;Pedro pedreiro esta esperando a morte&lt;br /&gt;Ou esperando o dia de voltar pro norte&lt;br /&gt;Pedro nã sabe mas talvez no fundo&lt;br /&gt;Espera alguma coisa coisa mais linda que o mundo&lt;br /&gt;Maior do que o mar&lt;br /&gt;Mas pra que sonhar&lt;br /&gt;Se dá o desespero de esperar demais&lt;br /&gt;Pedro pedreiro quer voltar atrás&lt;br /&gt;Quer ser pedreiro pobre e nada mais&lt;br /&gt;Sem ficar esperando, esperando, esperando&lt;br /&gt;Esperando o sol&lt;br /&gt;Esperando o trem&lt;br /&gt;Esperando o aumento para o mês que vem&lt;br /&gt;Esperando um filho pra esperar também,&lt;br /&gt;Esperando a festa&lt;br /&gt;Esperando a sorte&lt;br /&gt;Esperando a morte&lt;br /&gt;Esperando o norte&lt;br /&gt;Esperando o dia de esperar ninguém&lt;br /&gt;Esperando enfim nada mais além&lt;br /&gt;Da esperança aflita, bendita, infinita&lt;br /&gt;Do apito do trem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro pedreiro pedreiro esperando&lt;br /&gt;Pedro pedreiro pedreiro esperando&lt;br /&gt;Pedro pedreiro pedreiro esperando o trem&lt;br /&gt;Que já vem, que já vem, que já vem (etc.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-115383964116540834?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/115383964116540834/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=115383964116540834' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/115383964116540834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/115383964116540834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2006/07/pedro-pedreiro-penseiro.html' title='Pedro Pedreiro, penseiro...'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-115379117147840409</id><published>2006-07-24T18:12:00.000-07:00</published><updated>2006-07-24T18:41:29.643-07:00</updated><title type='text'>O profeta Jesus e o Islão</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.homsonline.com/images/Damascus/UmayyadMosque_Jesus.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px;" src="http://www.homsonline.com/images/Damascus/UmayyadMosque_Jesus.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A série documental narrada em grande parte por Miguel Portas foi umas das melhores criações no panorama televisivo (sempre parco em qualidade) português recente. É um bom antídoto para os clichés, preconceitos e estereótipos acerca do mediterrâneo, dos árabes e do islão. &lt;br /&gt;Noutro dia farei um "post" aqui sobre o tema. &lt;br /&gt;Por agora, deixo apenas aqui esta curiosidade (de que tomei conhecimento pelo dito programa): a grande mesquita de Damasco, de nome Ummayad, tem um minarete dedicado ao profeta...ora adivinhem lá...nem mais nem menos do que ao profeta Jesus que, aquando do dia do juízo final, será o escolhido por Deus para, descendo à terra, enfrentar Satanás e derrotá-lo. &lt;br /&gt;Jesus, como Moisés e Maomé é um dos maiores profetas para o Islão. Maomé é apenas o "último" numa "dinastia" antiquíssima de homens de Deus. Não há "o profeta certo", há apenas "actualizações" e Maomé só é o profeta derradeiro na medida em que "completou" o  que os anteriores disseram, explicitando ainda mais a palavra de Deus que outros já haviam também pronunciado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Entretanto, só uma palavra para exprimir a minha solidariedade total para com os martirizados povos da Palestina e Líbano (onde se contam também cristãos). Oxalá (que mais não é do que a corruptela de "inch allah",ou "queira deus") melhores dias venham, em que a injustiça do estado Nazi(onista) tenha um fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam aqui mais fotografias da mencionada mesquita:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.homsonline.com/Citeis/DamascusPhotoGallery.htm"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-115379117147840409?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/115379117147840409/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=115379117147840409' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/115379117147840409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/115379117147840409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2006/07/o-profeta-jesus-e-o-islo.html' title='O profeta Jesus e o Islão'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-114885456047636166</id><published>2006-05-28T14:27:00.000-07:00</published><updated>2006-10-07T08:49:38.946-07:00</updated><title type='text'>Educação</title><content type='html'>O governo Sócrates apresentou um projecto de decreto-lei que revogaria o actual Estatuto da Carreira Docente (ECD). A gravidade do conteúdo desse diploma é quase inexprimível em palavras. É um atentado à democracia e aos direitos sociais. E é um crime contra os alunos e contra o sistema  nacional de ensino. É o homicídio da educação. O retrocesso social contido nesse decreto a aprovar é de tal magnitude que os professores seriam colocados numa posição pior do que a existente no tempo do fascismo(faço esta afirmação sem receio algum de estar a incorrer em exagero).&lt;br /&gt;A revolta que sinto quase me impede de organizar racionalmente a exposição dos vários aspectos gravíssimos do decreto. Vou tentar enumerar alguns. &lt;br /&gt;A redução da carga horária começava, nos termos da legislação actual, a ocorrer aos 40 anos. Antes disso os professores vêem-se confrontados, durante os primeiros anos da sua carreira com a tarefa quase impossível de ter que dar aulas a seis ou sete turmas diferentes. As 22 horas semanais de aulas, que poderão à primera vista parecer até um horário de trabalho leve traduzem-se, na prática, numa autêntica tarefa hercúlea. Para quem não tenha noção (e muitos não têm), por mais displicente que seja um professor, por cada hora de aulas ministradas, ele terá  necessariamente (pelo menos no ensino secundário) de dispender entre uma a duas horas na preparação da mesma. Façam-se, pois, as contas. Multiplicando as 22 duas horas de aulas por 1,5 horas de preparação teremos 33 horas. Para quem ainda assim não acredite no que digo  "faça de conta que" cada hora de aulas só necessita de uma correspondente hora de preparação. Ainda assim estaríamos a falar de 44 horas no total (se multiplicarmos por 1,5 teremos um total de 55 horas de trabalho). Acrescente-se a isso as inúmeras (e relativamente longas) reuniões que os professores realizam com regularidade no ensino secundário e teremos um horário de trabalho  semanal (real) problematicamente pesado. É evidente que a necessidade de concentração e de preparação variará em grande medida em função da complexidade de conteúdos a leccionar. É óbvio que cadeiras como as línguas (e, de certa forma, até a própria matemática) pela sua estrutura carecerão de menos preparação. Isto porque são disciplinas, por um lado, com uma complexidade teórica menor (no caso da matemática mais "avançada" o que digo não se aplica) e, por outro, porque o seu ensino é feito em grande medida de exercícios repetitivos sobre conteúdos que pouco variam (o que, num certo sentido, "poupa trabalho" ao professor, que é menos martirizado pelas constantes mudanças de programas e conteúdos). &lt;br /&gt;Essa repetitividade e constância já não se aplica a cadeiras: como História onde os problemas podem advir não apenas de se poder abordar períodos e factos profundamente diferentes, mas também de dar relevância a um ou outro "movimento" social ou "trend" histórico, ou até mesmo da alteração nas grandes linhas interpretativas da história); como Filosofia, onde os filósofos e os temas podem ser os mais díspares e onde, sobretudo na filosofia continental, é necessário um esforço interpretativo e clarificador permanente; como literatura portuguesa, na medida em que também aqui autores e temas a explorar podem ser os mais diversos e não são susceptíveis de compreensão real por meros exercícios repetitivos (como sucede no ensino de gramática ou sintaxe de uma língua), mas apenas por um trabalho intelectual de interpretação e "captação" de sentido muito mais complexo.  Neste casos convoca-se o uso de conceitos e terminologia não facilmente "acessível" sem mais ao aluno. Por outro lado, ao professor exige-se que seja ele próprio um permanente aluno (pelo menos idealmente) praticando um constante repensar e aprofundar dos problemas e dúvidas que o estudo e preparação das aulas necessariamente levanta.&lt;br /&gt;Não obstante estas diferenças assinaladas, a verdade é que em caso algum se poderá afirmar, como agora se tornou hábito, que o professor em Portugal é um privilegiado e  alguém com uma carga de trabalho "invejável".&lt;br /&gt;Pois bem, no regime que o governo quer pôr em vigor, a redução no horário de trabalho (na componente lectiva) começaria a ser atribuída apenas aos 50 anos. E seria francamente diminuta. O que sucederá com esta redução de horários (para além de ser fisicamente esgotante para os professores- o que é grave naquela que é considerada, e com razão, uma das profissões mais desgastantes) será que vários professores ficarão reduzidos a horários zero (sem trabalho, portanto), pois cada professor estará obrigado a ter várias novas turmas. Por outro lado, não haverá horários para todos. E dificilmente os professores poderão ter horários concentrados no dia, tarde ou noite. Terão que ter horários mistos, passando muito mais tempo na escola. Ao contrário do que muita gente possa pensar (e infelizmente, pensa) não é possível fazer esse trabalho de preparação das aulas (o mais fundamental de um professor)na escola. Não há essas condições. Não é possível, pelo menos nas condições actuais, fazer um trabalho que requer um tal nível de concentração numa escola. Daí que a residência do professor seja o verdadeiro centro da actividade do professor. Com este regime, os professores ficam impossibilitados de preparar em condições as suas aulas. Ficam extenuados, trabalham com uma intensidade brutal e, no final, são as aulas que são mal dadas (por mal preparadas) e também os alunos ficam privados de um ensino de qualidade.&lt;br /&gt;Mas atenção. Há muito mais. No actual ECD, existem 10 escalões (que implicam diferenças significativas de rendimento). Os professores estavam obrigados a fazer umas ridículas acções de formação (pura perda de tempo e de fundos da união europeia) se quisessem subir de escalão, além dos anos de docência. Mas o actual governo acusando este regime de ser de "progressão automática" (o que é falso) e ,voltando à carga com os gastíssimos slogans da meritocracia, quer implementar alterações neste regime que são, no mínimo, monstruosas. Assim, passariam a existir apenas 6 escalões. Haveria "professores" até ao 3º escalão. Do 3º escalão em diante (onde, aí sim, haveria um verdadeiro aumento nos rendimentos) haveria uma nova categoria: os "professores titulares". E a passagem para os últimos três escalões estaria dependente de um exame. Mas mesmo estando sujeitos a esta autêntica arbitrariedade e conseguindo obter a melhor classificação possível no tal exame, ainda assim, os professores não teriam a sua passagem para os últimos escalões garantida. Não. É que entre o corpo docente de cada escola (entre os professores efectivos apenas) nunca mais de 1/3 do mesmo se  poderia encontrar no último escalão. Obviamente, a retórica meritocrática, usada como fundamento ideológico destas medidas, cai por terra com a existência desta quota: se mais do que 1/3 dos professores merecerem pelo seu trabalho e competência (e pela minha parte não vejo como se pode fazer essa avaliação neste caso...veja-se o meu post anterior sobre o mérito), ainda assim estarão excluídos de receber o prémio pelo seu mérito. Não se quer compensar "os mais dedicados" e os melhores; não se quer "dar mais a quem mais me merece por que mais trabalha e mais compentente é", mas simplesmente poupar dinheiro pela compressão arbitrária e radical de direitos sociais. Trata-se de um roubo, moral e politicamente falando feito por um governo de um partido dito "socialista", mas praticante confesso e impenitente do neo-liberalismo mais asqueroso. &lt;br /&gt;O que adviria de tais medida, para além da violentíssima compressão de rendimentos dos professores, seria a criação de um ambiente terrível de "luta pela sobrevivência" dentro das escolas, uma competição desenfreada (onde toda a sorte de mesquinhas traições, golpes baixos e agressões prosperaria entre professores) por "atingir" o "passaporte" para uma melhor vida. É bem de ver que nesse tipo de sistema só os piores, os mais reptilianos, espertalhões (regra geral, os mais incompetentes) atingiriam as posições mais altas. É que a lei da competição, o grande princípio do capitalismo, é uma lei que faz sobressair as piores "qualidades" e o "campeão" é sempre o que conseguiu ser mais desonesto, mais explorador, mais opressor ou mais "vendido" e "colaborante" com o opressor. &lt;br /&gt;Isto resultaria na destruição da dignidade da profissão. E a qualidade do ensino, bem como os direitos dos alunos, seria posta em causa. &lt;br /&gt;Se alguém se preocupar com a educação e com os alunos, terá que se preocupar com os professores e as suas condições em primeiro lugar. Dizer que se coloca os interesses dos alunos e dos pais acima dos professores é demagógico; é uma manobra populista. &lt;br /&gt;Por fim, há que ter em conta que o novo regime legal seria aplicado de forma totalmente retroactiva o que, na minha opinião, é claramente inconstitucional (e imoral).&lt;br /&gt;Entretanto, o PSD propõe como grande medida para a educação o "cheque-educação". O que é isto? Se não estou em erro trata-se da desresponsabilização total do estado, do incumprimento flagrante do direito à educação tal como ele vem consagrado na nossa constituição: o governo entregaria às pessoas um cheque para que estes pudessem colocar os seus filhos em instituições de ensino privado quando "não houvesse escolas nas proximidades". Além de ser, como é, o fim do ensino público, seria um manancial de negociatas e corrupção em favor de "empresários da educação" sem escrúpulos e com influência nos meios políticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma última referência. Houve eleições no Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL), o maior sindicato da FenProf. O sindicato nestes últimos 3 anos tem-se caracterizado pela passividade, pela falta de combatividade e pela fraqueza da argumentação quando em confronto com os executivos sucessivos. O presidente da Fenprof (e do SPGL) é o renovador Paulo Sucena. Talvez isto sirva de aviso a quem queria ver nesse movimento algo de positivo. A tendência social-democratizante, pusilânime e até complacente com os ataques mais selvagens aos direitos sociais que se assinalaram desde o início ao movimento(renovador), teve a sua expressão mais clara neste dirigente sindical e na sua actuação vergonhosa. E os resultados também estão à vista. A ofensiva geral contra os professores tem sido um sucesso.  &lt;br /&gt;Nas eleições a lista da "continuidade" ganhou, mas por escassíssimos votos. Os votos que fizeram a diferença foram votos por correspondência, sendo que mais de uma centena deles estavam em situação irregular, o que motivou o protesto justificadíssimo da lista alternativa mais forte, de tendência combativa, tentando restaurar o "bom espírito" que pautara o SPGL em anos anteriores. Foi inatendido, de forma que também ela se mostrou irregular. Desconheço se o processo seguiu para os tribunais (como ameaçou a lista alternativa). Em todo o caso, é certo e seguro que Paulo Sucena, vergonhoso exemplo de sindicalista "mole e dócil", não continuará à frente dos destinos do SPGL.&lt;br /&gt;Esperemos que melhores dias venham agora para o SPGL e para o sindicalismo entre os professores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-114885456047636166?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/114885456047636166/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=114885456047636166' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/114885456047636166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/114885456047636166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2006/05/educao.html' title='Educação'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-114530278490939825</id><published>2006-04-17T12:33:00.000-07:00</published><updated>2006-05-08T10:45:17.793-07:00</updated><title type='text'>Sobre o "mérito"</title><content type='html'>Eis um texto que queria colocar como comentário a um post noutro blog. O comentário ganhou dimensões excessivas, pelo que resolvi postá-lo aqui, colocando a referência a este meu comentário alargado no blog respectivo. O tema é as anunciadas "reformas da máquina administrativa" e de toda o discurso dominante e enganador acerca do mérito que sistematicamente acompanha estas "reformas" que não resolvem problema nenhum, mas atacam selvaticamente direitos adquiridos e legítimos da função pública. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão da avaliação pelo mérito coloca inúmeros problemas e não vi que os fãs da mesma abordassem um único desses problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos principais problemas com o sistema da avaliação por mérito é que o "mérito" não é um conceito minimamente unívoco. Bem pelo contrário. Nesta matéria, cada cabeça, sua sentença. O conceito que eu tenho daquilo que é um desempenho bem conseguido, satisfatório, ou útil, na área da saúde, educação, em repartições de finanças ou qualquer serviço social do estado, será, por certo, diferente da de vários outros indivíduos.  &lt;br /&gt;Poderão dizer-me que o que interessa é que um governo ou um ministro defina então que conceito de mérito é relevante para cada área. Só que o que releva discutir é precisamente que conceito de mérito é relevante e porquê. Além do mais, mudando um governo, os parâmetros pelos quais se avalia o mérito podem ser postos em causa constantemente (de 4 em 4 anos, ou menos) o que levanta problemas graves: (1)em termos de justiça, pois as pessoas não podem estar constantemente a ser postas perante novos parâmetros de avaliação, que lhes exigem condutas diversas ou até contraditórias com as que já se haviam habituado a ter, e (2) em termos de eficiência, porquanto cada nova mudança implica períodos de adaptação em que se perde muito tempo e recursos. &lt;br /&gt;A verdade, contudo, é que tudo isto até constitui um acervo de “problemas menores”. O problema é que, dada a dificuldade em definir e estabelecer concretamente em que é que se traduz o mérito, o que de facto se passa (e passa-se sempre) é que essa “avaliação em função do mérito, ou reduz-se à verificação de certos índices puramente quantitativos (os quais, embora relativamente objectivos, são dificilmente relacionáveis em termos inequívocos com o mérito), ou então, como é mais frequente, à pura decisão arbitrária e dificilmente controlável de um qualquer burocrata. E logo aí se põe a questão: quem controla os “controladores”? Abre-se a porta ao puro subjectivismo e à total partidarização do aparelho do estado. &lt;br /&gt;Encapotado sob o manto do mérito, surgem (como surgiram) todos os boys, que se instalam sem escrúpulos na administração pública. Da mesma forma como são contratados, com o sistema de avaliação por “mérito”, serão estes boys a ser promovidos por nenhuma outra razão senão a de serem justamente apaniguados, meninos do aparelho partidário, ou dele próximos. &lt;br /&gt;Vou de seguida tentar demonstrar como se concretizaram já estas duas vertentes de “falsa avaliação pelo mérito”. &lt;br /&gt;Em primeiro lugar, um caso concreto que prova até à exaustão a dificuldade, senão a total impossibilidade, de encontrar, com base nos tais critérios objectivos, quais os funcionários públicos do ponto de vista do mérito. &lt;br /&gt;Há alguns anos atrás, nos tempos dos governos Guterres, houve também quem se lembrasse de gritar clamorosamente contra o “sistema de progressão automática” entre os professores. Assim, com a oposição frontal dos sindicatos (aquilo a que agora se gosta de chamar “corporações”), decidiram instituir o seguinte regime: para subir-se de escalão, além dos anos de carreira, todos os professores deveriam realizar acções de formação, realizando trabalhos e sendo avaliados em “mini-cursos”. Cada uma dessas acções de formação valia um certo número de créditos. Obtido o número de créditos necessários (o que implicava realizar umas 3 ou 4 acções de formação), passava-se de escalão, assim que se atingisse os anos de carreira igualmente necessários. &lt;br /&gt;Em que é que isto resultou concretamente? Fizeram-se muitas acções de formação, a maioria das quais perfeitamente inúteis, gastando-se a rodos dinheiro vindo dos fundos europeus. Isso resultou em muito emprego e dinheiros extras para várias pessoas. Não para os professores, mas para os responsáveis pelas acções de formação. Essas acções de formação tinham que ser aprovadas pelo governo. Choviam pedidos aos milhares, e claro que cunhas, amizades, boyismo poderiam ser alavancas fundamentais para a aprovação das mesmas acções de formação. &lt;br /&gt;E quanto aos professores, que é o que importa aqui saber? Pela minha experiência concreta (não pela minha propriamente, mas indirectamente, a partir da minha família que toda ela se encontra no ensino) o que se verificou foi o seguinte: os melhores professores desprezavam as acções de formação. Consideravam-nas um desperdício de tempo. A maioria dos conteúdos que eram abordados eram de tal modo superficiais que não traziam nada de novo aos professores mais cultos e estudiosos (antes pelo contrário), e, quanto aos professores mais incompetentes, só lhes enchiam a cabeça de uma série de preconceitos e ideias banais e inúteis. &lt;br /&gt;Por outro lado, tudo isto era inevitável para quem perceba um pouco da especificidade da profissão de professor. O verdadeiro professor competente é 1) aquele que domina profundamente os conteúdos de matéria que irá ministrar (os mais cultos e estudiosos, portanto) e 2) aquele que passa mais tempo em casa a preparar as aulas (que permite a organização mais racional e eficaz das mesmas). Fazer os professores passar tardes inteiras a “aprender” meia dúzia de tretas acerca de “psicopatologia do adolescente” ou sobre “novas pedagogias” (fazer os alunos “aprender a aprender”, em vez de apenas “aprenderem”), é roubar-lhes tempo precioso em que poderiam (e deveriam) estar a estudar e a preparar aulas. &lt;br /&gt;Finalmente, o actual governo PS veio dizer que este sistema era um absurdo e que não permitia qualquer avaliação da competência…E não se esquivaram a, como sempre, fazer subentender que as “corporações de interesses particulares” (os sindicatos, que, pobres coitados, têm agora direito a este epíteto, como se se tratassem de algum lobby, como os lobbies empresariais que dominam o “centrão” português) eram responsáveis pelo “status quo”. Embora não se conceda praticamente tempo de antena aos representantes sindicais (o que também não é por acaso), ainda tiveram estes oportunidade para repor a verdade: foi o próprio governo Guterres, por decisão autoritária e com a mais firme oposição dos sindicatos (do início ao fim), quem implantou este sistema absurdo (que aumentou custos e teve efeitos nulos sobre a competência dos professores)!!!!&lt;br /&gt;Após este exemplo histórico, vamos agora imaginar as mais que prováveis consequências, absurdas e injustas, de um sistema de avaliação do mérito para a atribuição de salários. Imaginemos que o critério quantitativo/objectivo usado seria os resultados nos exames nacionais dos alunos da turma a que o professor dava aulas. Não seria um novidade…Afinal, um sistema similar tem sido usado para justificar esse pseudo ranking das escolas. O que aqui se olvida, é bem de ver, é que cada professor e cada escola trabalha com uma “matéria prima” (alunos) diferente e de qualidades (capacidades) diversas; que cada um tem problemas específicos a resolver. A não ser que se faça uma análise esmiuçada (que é economicamente inviável) destas condicionantes, os resultados serão sempre injustos, sem qualquer relação com o real trabalho e esforço do professor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na prática, o que sucede e sempre sucedeu é que a invocação do “mérito” como critério de avaliação, classificação e atribuição de remunerações ou cargos, leva sempre à escolha arbitrária por parte do partido que formou governo…forma-se toda uma cadeia hierárquica onde o que efectivamente conta é a “confiança”, confiança política e/ou confiança pessoal. O mérito afinal, mais não é do que o nepotismo, o “amigalhismo”, a partidarização do aparelho de estado: e quem por esta via é escolhida ou favorecido pouca motivação tem para se esforçar; sabe que não foi escolhido por e para trabalhar mais e melhor, mas porque é “de confiança”, tem cunhas …o “mérito torna-se o maior inimigo do esforço”. &lt;br /&gt;Um sistema, como o da mera promoção automática, poderá não ser sensível às diferentes contribuições dos assalariados do estado, poderá não ser uma métrica meritocrática, mas ao menos não se reduz à arbitrariedade (é absolutamente objectiva) disfarçada de justiça. &lt;br /&gt;Mas há quem pergunte ainda: de que têm medo esses adversários das reformas? E dizem, com cinismo e triunfantes, que é o medo de quem sempre se pode deitar à  sombra da bananeira, seguro de que não seria despedido, de que progrediria na carreira independentemente do seu desempenho… O sistema público estaria cheio de “privilegiados preguiçosos”, os funcionários públicos seriam “gordura do estado”, sanguessugas a alimentar-se  do dinheiro dos impostos e, assim, dos restantes portugueses. &lt;br /&gt;Impõe-se a resposta que reponha a justiça e a verdade. Que foram até hoje todas as “reformas” na administração pública, essas mesmas acompanhadas, como a actual, de declarações de intenções onde se dizia que o mérito seria a nova “bússola” orientadora dos esforços reorganizativos da Função pública?  Foram sempre meios de, sem qualquer critério (a não ser, regra geral, o de pura contenção economicista de despesa), atacar os direitos dos trabalhadores da função pública, de todos (excepto os apaniguados do partido a governar) os trabalhadores do estado, bons e maus, trabalhadores ou negligentes. O objectivo foi atacar os funcionários públicos enquanto grupo específico de assalariados, normalmente (como agora) dentro de um programa mais vasto de ataque aos direitos sociais de todos os assalariados. &lt;br /&gt;Exemplos? Darei apenas um relativamente recente. Quando era ministra das finanças Manuela Ferreira Leite, falou-se justamente na possibilidade de avaliação de desempenho dos funcionários públicos. Seria necessário obter determinada nota, a ser atribuída por algum tipo de inspector ou avaliador de desempenho (sabe-se lá com base em que invocados critérios), para poder “subir na carreira”. Porém, curiosamente estabelecia-se, a priori, que não poderia haver mais do que uma determinada percentagem de funcionários classificados com as notas mais elevadas. Era imperativo que nunca mais do que certa parcela dos funcionários obtivesse as notas mais elevadas. Era imperativo, pois, que nunca mais do que determinada percentagem de funcionários obtivesse subida na carreira e consequente aumento de remuneração. Como é que se pode querer avaliar o mérito individual dos funcionários, fixando-se a priori que, independentemente do real desempenho que as pessoas tenham, só um determinado número dos funcionários (calculado em termos percentuais) terá direito às melhores classificações. Se, por hipótese, legalmente só 15% dos funcionários podem obter “a melhor  classificação” (o “muito bom” digamos), que sucederá se 20% ou 30% a merecerem efectivamente? Poderá retorquir-se: mas será sério pensar-se que mais do que 15% dos funcionários públicos trabalha e esforça-se a ponto de merecer tal classificação? O argumento/questão contém em si a sua própria derrota. É contraditório dizer-se que se pretende avaliar as pessoas e estabelecer a meritocracia, compensando os indivíduos mais merecedores (porque verificou-se em concreto que trabalharam mais) e depois, dogmaticamente e a priori, estabelecer limites, máximos ou mínimos, que não possam ser ultrapassados pelos avaliadores quando a avaliação concreta revelar que os casos “inseríveis” dentro de certas categorias (“muito bom”) ultrapassam esses mesmos limites. Trata-se do afastamento pura e simplesmente do critério do mérito. &lt;br /&gt;Faça-se referência ainda a outra inconsistência argumentativa. Imaginemos que essa pré-determinação de percentagens inultrapassáveis não é (como inevitavelmente é) perfeitamente arbitrária. Um dos objectivos referidos por essa reforma (como por todas) é a de, não apenas no longo prazo, mas até no curto-médio prazo, estimular, por via da recompensa pelo mérito, os trabalhadores da administração pública a serem mais eficazes, mais produtivos, e, dessa forma, melhorar o desempenho geral da máquina do estado. Portanto, a ideia é a de que com esse incentivo meritocrático, os trabalhadores tornar-se-ão melhores trabalhadores, com desempenhos mais “satisfatórios” e que será toda a máquina do estado a melhorar, por efeito da melhoria no desempenho dos trabalhadores até então “mais fracos”. Se assim é, se o objectivo é mesmo esse, e se se acredita que se o atingirá, então, que sentido fazem os limites, pelo menos no médio prazo? Se as pessoas vão melhorar o seu desempenho, o número de funcionários a merecerem a classificação mais elevada aumentará significativamente. Esse é o objectivo. E então, se se atingeo mesmo, ao fim de certo tempo, o número de funcionários com real bom desempenho terá que ultrapassar a percentagem pré-estabelecida como limite máximo (isto, repetimos, presumindo que essa percentagem não era arbitrária já quando se estabeleceu). &lt;br /&gt;O que isto revela é que o único critério relevante na reforma era a poupança à custa da compressão dos direitos dos trabalhadores e não qualquer objectivo de realizar uma justiça meritocrática na administração pública. O critério do mérito é morto logo à nascença pelas medidas concretas que supostamente o pretendem implementar. Porque haverá que esperar diferentes objectivos e resultados da nova anunciada reforma? Por muito que se tentem esconder atrás de uma argumentação pseudo-ética, a verdade é que todas as reformas foram (e esta n será excepção) tentativas de destruição de direitos sociais básicos, com objectivos economicistas e de aniquilamento do Estado social em favor dos grandes interesses capitalistas.  &lt;br /&gt; Entretanto, há que estar atento à estratégia por trás da retórica. A estratégia é antiga: dividir para reinar. Tenta opor-se os assalariados do sector privados aos assalariados do sector público, tentando convencer os primeiros de que estes últimos são seus adversários, ou que, pelo menos, têm um estatuto diferente e “injustamente privilegiado” e que, ao nivelar por baixo, o governo até realiza um imperativo de justiça. Nada de mais falso e iníquo. Há uma ideia difundida de que no sector privado se trabalha necessariamente mais do que no sector público. Já pude constatar, na prática, que tal não é verdade. A ideia subjacente é a de que onde reina o capitalista/empresário há maior controlo (desde logo, pela dimensão reduzida do aparelho, pela maior amplitude do poder disciplinar e pela “bomba atómica de coerção” silenciosa que é a possibilidade de despedimento ao qual, ao contrário do que se diz, não é difícil de recorrer em Portugal) e de que só o controlo pode levar à maior produtividade e melhor desempenho. É verdade que há algum maior controlo (em muitos casos, controlo perfeitamente abusivo e violador de direitos fundamentais) no sector privado, mas também pode haver (e há) alguma fiscalização e controlo no sector público. De resto, sei, por contacto com pessoas que trabalham no sector privado (e creio que haverá dados estatísticos a comprová-lo também), que os fenómenos de negligência laboral ocorrem também no sector privado e numa proporção não muito menor que o público. Por outro lado, não é apenas o controlo que leva a maior produtividade e eficácia. Uma gestão de recursos inteligente, o bom planeamento de actividade (responsabilidades da entidade patronal) e a motivação dos trabalhadores (a qual depende em muito dos direitos e da remuneração que lhes são proporcionados e, em geral, de todo o tratamento a que são sujeitos) são factores importantes para obtenção de melhores resultados a nível da eficácia e produtividade. Esta vertente tem sido insistentemente menosprezada pelos empresários privados portugueses que acham mais “fácil” (e é-o efectivamente) focar a atenção exclusivamente na destruição de direitos e no terrorismo laboral, tarefa para a qual receberam o auxílio do recente código de trabalho…&lt;br /&gt;E para quem julgue que isto é retórica “vermelha”, lembro que o insuspeito Basílio Horta, empresário e dirigente do CDS, recentemente focou este aspecto num programa do canal 2. Disse ele que as leis laborais e fiscais neste país não são “pouco liberais” como muitas vezes se diz, que não são rígidas, mas antes bem flexíveis. Disse que o que faltava em Portugal era formação dos trabalhadores, mas sobretudo dos empresários (cujo nível de escolaridade médio se fica pelo 8º ano, o que diz muito da sua “competência”…). Acrescentou que o que era preciso seria, quando muito, alguma mobilidade funcional e temporal, à qual, de resto, os sindicatos não se opunham, (não se “fechavam no imobilismo", ao contrário do que sói dizer-se), e, acima de tudo, responsabilidade social por parte dos empresários portugueses que, na sua maioria, comportava-se de forma muito pouco ética, usando de desonestidade e esquecendo-se que têm pessoas na sua dependência… &lt;br /&gt;Ora, agora pretende transplantar-se este mesmo tipo de comportamento do sector privado para o sector público. Quer fazer-se do estado o 1º dos empregadores-bandido.&lt;br /&gt;E para isso, como atrás se disse, tenta-se dividir os trabalhadores; criar divisões fictícias entre trabalhadores de sector público e privado ( tal como os empresários tentam criar entre trabalhadores portugueses e imigrantes). Na verdade, há identidade de interesses entre trabalhadores do sector privado e público. São eles quem trabalha e produz a riqueza do país e são eles quem paga os impostos, já que neste país são os empresários e trabalhadores independentes quem, com manobras várias, se esquiva ao cumprimento dos seus deveres fiscais. Os trabalhadores do sector público financiam parcialmente, com os seus impostos, a própria máquina do estado. Quem é privilegiado, obtendo serviços pelos quais não pagou, são justamente os empresários que reclamam contra o Estado social, que chamam parasitas aos funcionários públicos, enquanto iludem a máquina fiscal e a segurança social. Esses sim são os privilegiados. Trabalhadores de ambos os sectores partilham uma mesma condição, de assalariados, de dependentes de outrem e o seu interesse é um só: nivelamento? Sim, mas nivelamento por cima, não por baixo. &lt;br /&gt;Se, vós, Bin Ladens da meritocracia, defendeis tanto a ideia do mérito, sugiro que passem a defender o socialismo, pois o lucro capitalista mais não é do que o preço do trabalho não pago aos trabalhadores que o empresário arrecada (i.e. rouba)! Nada há de menos meritório do que receber pelo trabalho dos outros. Eu, pela minha parte, não sou um defensor da meritocracia, até porque acredito que, pelo simples facto de uma pessoa existir, deverá ter direito à realização de necessidades, pelo menos das básicas (expressão à qual dou um sentido mais amplo do que o usual). Só por via de tal princípio se entende, de resto, o próprio sistema nacional de saúde, tal como ele existe, ou o sistema da educação (não dependentes de contribuições prévias dos beneficiários, não subordinados a um princípio de sinalagmatismo), ou ainda o Rendimento mínimo garantido. &lt;br /&gt;Levantaram aqui a questão de “quem tem medo e porquê”. Insinuaram que quem se opõe a tal medida fá-lo porque é um dos que beneficia ilegitimamente dos critérios actuais. Pergunto-me, entretanto, se alguns dos grandes defensores desta reforma em prol do pretenso mérito ( os "talibans meritocráticos"), não serão aqueles que beneficiam e beneficiarão, por proximidades ideológicas e partidárias, por mecanismos obscuros que os levam às proximidades de quem detém o poder, de futuros cargos (vulgarmente designados como “tachos” ou “jobs for the boys”) ou promoções, com base em decisões arbitrárias...as quais, é claro, invocarão o mérito de quem delas beneficia, porque, afinal, o mérito é mesmo um daqueles termos vagos (mas de enorme poder “simbólico”) que serve de “válvulas de escape” ao poder. Por outras palavras, o uso da palavra mérito (e das suas conotações) é um mecanismo para a introdução da discricionariedade total. E quem beneficia da mesma, não é quem mais merece, seja o mérito determinado porque critério for.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-114530278490939825?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/114530278490939825/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=114530278490939825' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/114530278490939825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/114530278490939825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2006/04/sobre-o-mrito.html' title='Sobre o &quot;mérito&quot;'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-114242957773655905</id><published>2006-03-15T04:51:00.000-08:00</published><updated>2006-07-15T19:34:22.960-07:00</updated><title type='text'>Eleições presidenciais: um esboço de análise</title><content type='html'>Queria deixar aqui a minha opinião sobre as eleições presidenciais, o que as precedeu e o resultado final, bem como algumas notas sobre os vários candidatos. &lt;br /&gt; A vitória de Cavaco Silva deu-se por uma mera diferença de 30 000 votos o que é francamente pouco. Atendendo a um resultado destes, dificilmente se poderá dizer, como  é hábito nos media, que Cavaco Silva (ou qualquer outro candidato com vitória tão estreita) é o "presidente de todos os portugueses". Um tal resultado não deveria produzir nos cidadãos até agora mais incautos e desatententos um sentimento de salutar desconfiança perante os órgãos de comunicação social? Digo isto não apenas pela descarada promoção que foi feita "ao professor" (que eu saiba, Francisco Louça e Mário Soares tb são "senhores doutores", se é que isso se deva relevar, e deram aulas no ensino universitário também, pelo que é injustificável que não mereçam o mesmo tratamento) dando a entender, desde o início, que Cavaco Silva não era um candidato, mas pura e simplesmente um consensual "futuro presidente da república", algo como um herdeiro ao trono. Digo-o também e sobretudo porque esses mesmos oráculos "infalíveis " tentaram, com manifesta má-fé, transformar aos olhos dos nossos cidadãos politicamente ignorantes  o seu método délfico (relembrando perigosamente um recauchutamento da tese da interpretação do "volkgeist" pelo führer-cavaco) numa tese  "científica", apresentando sondagens que davam vantagens impressionantes (e inéditas em Portugal) a este "caudilho" promovido pelos media. Lembram-se dos mais de 60% atribuídos a alguns meses de distância? A folia destes senhores chegou ao ponto de apresentar quase 70% dos votos concentrados no candidato da direita! Dizer que isto se trata de meros "erros" técnicos , ou que efectivamente 20% dos eleitores mudaram de opinião desde essa data até ao dia das eleições, é simplesmente risível. Posto isto, que fará Cavaco (abstraindo das visitas de estado, dos discursos vazios e de circunstância)? Muito pouco. Já ficou bem claro que este D. Sebastião não vai querer sair do nevoeiro, pelo simples facto de que a "salvação de  Portugal", tal como ele a entende, está a ser posta em prática pelo governo mais à direita que o país alguma vez teve. Daí que veremos um sereno reinado de passividade alegre (não obstante as suas tendências francamente autoritárias). O casamento com Sócrates possivelmente não será de felicidade eterna. É que no final do mandato do actual governo, alguns dirigentes do PS, conscientes da impopularidade que o governo granjeou, quererão lançar mão de medidas demagógicas e abrir os cordões à bolsa (note-se que, em certa medida, já o fizeram, com estes "complementos de reforma", ridiculamente baixos e quase inacessíveis atendendo aos obstáculos burocráticos), ao que, por convicção e oportunismo, Cavaco Silva poderá responder, tomando uma posição de intransigência, gerando uma crise de que beneficiará o seu partido nas eleições que se seguirão.&lt;br /&gt; A votação significativamente baixa  de Soares deve-se ao facto de ele ser o candidato "do governo". Não adianta escamotear esse facto. Alfredo Barroso, apoiante da candidatura de Soares, ainda a semanas das eleições, foi honesto, revelando que esta candidatura sofreria muito pelas políticas do governo. Disse até onde se sentiria (geográfica e socialmente falando) mais esse efeito: entre os funcionários públicos (e respectivos dependentes), e restantes assalariados, particularmente na zona da grande Lisboa. Essa mesma honestidade intelectual e política faltou aos dirigentes do PS após a hecatombe eleitoral. Segundo os inefáveis Sócrates, António Costa ou Jorge Coelho,  os péssimos resultados, para  a esquerda e para Mário Soaresm,  não seriam consequência das políticas do actual governo, mas da acção esquerdista, divisionista e irresponsável, dos dois partidos à sua esquerda e da própria candidatura "rebelde" de Manuel Alegre.  Pior cego é aquele que não quer ver e mais não digo. Verdade seja dita, penso que Sócrates e alguns dirigentes do PS terão preferido este resultado (de vitória de Cavaco Silva à primeira volta, mesmo com tão baixo resultado obtido pelo candidato do governo) a uma segunda volta insegura, confrontando Alegre e Cavaco.  Por várias razões. Em primeiro lugar, Alegre representava (independentemente de ideologicamente não ser diferente ou muito diferente de Soares) o cartão amarelo ao governo de muitos descontentes. Pior, era o cartão amarelo sobretudo daqueles que haviam votado no PS aquando das eleições legislativas, ou seja, de eleitores do PS, muitos deles provavelmente militantes ou simpatizantes de longa data. Essa leitura confirma-se pelos 20% que Alegre obteve, num contexto em que Jerónimo de Sousa não só manteve, como aumentou o número de votos obtidos pela CDU nas eleições legislativas (pelo que os votos em alegre não são "votos úteis" dos eleitores CDU) e em que se verifica  uma  diminuição de votos no caso de Louça (obviamente, houve algum voto útil de bloquistas). Por essa razão, a manutenção de Alegre numa 2ª volta, era o prolongamento da contestação e do cartão amarelo ao governo.&lt;br /&gt;Em segundo lugar, haveria o "risco" de Alegre ganhar. Alegre não seria um grande opositor, é certo. Não só por ser um ps, um dos "founding fathers" do PS, mas porque ideologicamente não está particularmente à esquerda e, dada a sua superficialidade, seria relativamente manipulável (Sampaio é o exemplo acabado da "boa pessoa" que é tão facilmente manipulável e que efectivamente foi tão manipulado que acabou por ser cúmplice nos   maiores golpes da direita portuguesa). Contudo, é verdade que ele tomou posições "radicais" e um tanto assustadoras para o governo, já habituado à lassidão, passividade e tendência manipulável do Sampaio: perante a possibilidade de privatização nalguns sectores, Alegre disparou com o famoso "obviamente demito-o". &lt;br /&gt;Cavaco Silva conviria muito mais ao governo Sócrates. Note-se, entretanto, que todos os dirigentes alternativos ou críticos no seio do próprio PS foram sendo "afastados": Soares pai neste desastre eleitoral, Alegre não ganhou, nem foi à segunda volta. Carrilho já fora enviado em missão suicida, na sua candidatura à câmara de Lisboa. A Soares filho também lhe deram um presente envenenado, ao propô-lo para a difícil conquista de Sintra, onde fracassou. Que conveniente!&lt;br /&gt;  Soares e Cavaco foram particularmente lacónicos quando se tratava de se pronunciarem sobre posições concretas que tomariam face a alguns problemas específicos. Curiosamente, esta atitude, que deveria ser censurada por mostrar falta de transparência e honestidade (ocultando da população eleitora as suas reais intenções) e , igualmente, fraca sensibilidade democrática, foi elogiada como demonstração da astúcia de dois animais políticos. Acusaram Alegre e os outros candidatos de incontinência verbal, de falta de "esperteza" política. Como se o que fosse necessário neste país fossem mais espertalhões...&lt;br /&gt;   Por outro lado, encontramos uma similitude entre os discursos de Cavaco e Alegre :&lt;br /&gt;ambos insistiram na tese ridícula e perigosa de que a sua candidatura seria "independente" e "não-partidária" e de que estavam assim a abrir caminho a uma nova forma de política. &lt;br /&gt;A tese é ridícula porque ninguém é "independente", mesmo que seja financeiramente independente de um particular partido. Todos recebem apoios, institucionais e pessoais, de determinadas áreas e representam determinados interesses concretos aos quais estão necessariamente ligado. Em última análise, ninguém é independente das suas próprias ideias e estas não nascem no vazio sociológico: são produto de um conjunto de influências e condicionantes. E Alegre quer fazer-nos de idiotas? Acaso não é ele um dos founding fathers do PS? E um militante comprometidíssimo do mesmo desde há mais de 30 anos? &lt;br /&gt;Mas se Alegre podia invocar uma relativa independência das estruturas partidárias, Cavaco nem isso: A sua candidatura contou desde o primeiro momento (aliás, em rigor, desde muito antes do "1º momento, se considerarmos este o momento da formalização da candidatura) com o apoio expresso e incondicional dos dois partidos da direita. Por outro lado, também nunca foi independente dos interesses da banca, dos grandes empresários e dos seus muitos Goebbels economistas e jornalistas.  &lt;br /&gt;A tese-poesia de Manuel Alegre da "viçosa e regeneradora sociedade civil" (que ele representaria) versus a perversa e burocratizada "partidocracia" portuguesa  encerra em si um grande perigo potencial. Este folclore pseudo-anarquista, mas que mais não é do que populismo barato, pondo em causa a legitimidade e centralidade dos partidos enquanto representantes das sensibilidades políticas dos cidadãos, abre a porta a uma certa demagogia anti-democrática e à justificação de futuras medidas anti-democráticas que há muito se anunciam. Basta lembrarmo-nos de todo o discurso que tentava legitimar ideias como a dos círculos uninominais: também se falava nos malefícios da "partidocracia" e apresentava-se como panaceia milagrosa a "proximidade" eleitor/eleito. Passava-se por cima do facto de tal apelar à fulanização,e não à politização; de desviar as atenções para os indivíduos e não para as ideias constantes dos programas e para o debate. E passava-se por cima do facto de as candidaturas uninominais matarem o "pluralismo": os votos nos restantes candidatos/partidos seria completamente inutilizado. Seria a pura ditadura da maioria, sem contemplações, à maneira americana, favorecendo sempre o "centrão" (e a "estabilidade do centrão" leva necessariamente ao apagamento do debate ideológico e ao afunilamento de perspectivas).  Por outro lado, mais do que uma repolitização e rejuvenescimento da cidadania dos portugueses, a consequência mais provável  e óbvia da difusão e generalização deste imaginário será, pelo contrário, a despolitização da população, degradando e debilitando progressivamente a (necessária e benéfica) teorização e discussão ideológica. A fulanização da política (e daí até ao caciquismo e ao perigoso populismo das personalidades vai um passo) encontra solo fértil para se desenvolver no seio destas concepções anarco-parvas que, por muito  rebeldes que se creiam os seus cultores sinceros, estimulam o conformismo, a falta de sentido crítico e de vontade de participação e transformação.&lt;br /&gt;Francisco Louça, candidato do bloco de esquerda, obteve uma votação reduzida, tendo em conta os resultados obtidos pelo Bloco de esquerda nas últimas legislativas. Penso que a principal razão para isso acontecer foi a transferência de votos de algum do eleitorado bloquista para a candidatura de Manuel Alegre, como forma de "fazer pressão" sobre o governo Sócrates, para que ele entenda bem que há um grande descontentamento pelas políticas neo-liberais que segue. Apesar disso, não deixa de ser interessante que Louça ficou no "segundo lugar" dos candidatos mais beneficiado pela comunicação social: em segundo lugar no número de notícias e número de minutos nas televisões portuguesas. Por outro lado, como de costume, os órgãos de comunicação social insistiram em tentar criar, por sua própria iniciativa e interesse (e sem apoio, creio, em qualquer atitude de ambas as candidaturas), uma lógica de confrontação e "medição" de forças entre o candidato do Bloco de Esquerda e o candidato do PCP. Novamente, houve uma clara intenção de beneficiar o BE (e novamente as sondagens davam um "empate" entre os dois candidatos, quando o que sucedeu nas urnas foi uma significativa maior votação em Jerónimo de Sousa), não porque os media morram propriamente de amores pela esquerda festiva-hippie (só mesmo Pacheco Pereira é que é capaz de afirmar que a comunicação social em Portugal é dominada pelo "esquerdismo" - uma má imitação da estratégia Berlusconi), mas porque é importante para as forças que sustentam Barrosos e Sócrates, a nata da alta burguesia portuguesa, minar a única organização anti-capitalista, com um programa e uma perspectiva revolucionária e coerente. A esquerda inarticulada e de ideias vagas pode dar-lhes asco, mas é a esquerda consequente que eles temem. &lt;br /&gt;Há que admitir, contudo, que Louça foi criticado e, muitas vezes, criticado por más razões. Chamam-lhe o "padre de esquerda", Pacheco Pereira critica-lhe o estilo "self-rigtheous", irritam-se com a sua "soberba aura de paladino e incorruptível". Na verdade, irrita a esta gentalha corrupta ou com poucas preocupações para lá da trivial prossecução dos seus interesses materiais mesquinhos que alguém denuncie de forma veemente, como "se fosse pecado", "delito moral hediondo", a corrupção, o compadrio e a insensibilidade social. Pois é, ele faz mesmo isso. E não creio que deva ser criticado por isso. E mais: creio que é de facto uma pessoa honesta (pese embora aquele lapso lamentável do plágio do Chossudovsky, bem como certos aproveitamentos demagógicos e populistas, táctica típica do Bloco), a quem repugna os fenómenos da corrupção, do clientelismo e da insensibilidade social. Quando defende uma causa, defende-a apaixonadamente, porque sente-a como moralmente fundamental. Assim deveriam ser todos os políticos. Se às vezes algumas pessoas de menores escrúpulos se sentem zurzidas (como os mercadores do templo) pela sua "pregação", paciência: regra geral ele está correcto e o que lhe repugna é efectivamente repugnante. &lt;br /&gt;Achei-o sim, ridículo, quando disse que, se fosse presidente da República, não receberia dirigentes chineses, porque na China ocorreriam violações dos direitos humanos. Se esse é o critério, lamento informar Louça e os bloquistas de que seria impossível receber praticamente qualquer chefe de estado ou dirigente de qualquer país do mundo... Receberia os criminosos da administração Bush? Receberia estadistas da Alemanha onde ainda vigora a proibição dos "radicais" (Berufsverbot= proibição de profissão) que interdita a função pública aos comunistas e outros "radicais". Receberia dirigentes israelitas? Receberia dirigentes do regime turco, regime laico, mas de extrema repressão sobre a esquerda e sobre os curdos? Receberia dirigentes das repúblicas do Báltico, onde, nuns casos o partido comunista está proibido, noutros há centenas, ou mesmo milhares de presos políticos (ao mesmo tempo que os governos operam revisões da história monstruosas apresentando os nazis como "libertadores" da opressão "vermelha")e onde as minorias russófonas sofrem uma espécie de apartheid (claro que tudo isto não impede a UE de os aceitar como "bons europeus"...ao contrário da "criminosa" bielorússia que tem a ousadia de manter grande parte da economia estatizada e, horror dos horrores, preocupa-se em manter pleno emprego e regalias sociais como não existem nos seus vizinhos pseudo-democráticos)? Só referi estes regimes porque seriam "europeus" e "ocidentais" (mas, como se vê, têm muitas características anti-democráticas e neles ocorrem imensas violações dos direitos humanos). Violações dos direitos humanos ocorrem em todo o lado e só a selecção de alguns dos estados mostra bem a inconsequência de Louça e a ingenuidade parva que medra entre os bloquistas, completamente dominados ideologicamente pela burguesia, acreditando piamente em cada palavra dos media sempre que se trata de algum assunto que não conhecem bem. O Chomsky  também é tendencialmente ingénuo e tinha certas imagens estereotipadas, mas com o tempo e com o acumular da experiência, sabe hoje desconfiar dos media: daí que, depois da sua visita a Cuba, tenha mudado de posição quanto à mesma. Afinal não é o inferno...afinal até encontrou lá "grassroot democratic institutions"...Quem diz isto é um "anarquista", não um "empernido estalinista demagogo"...É a falta de informação, aliada a uma ingenuidade exasperante que fazem do bloco uma organização, no mínimo, frustrante. Por outro lado, Louça, tem alguma formação política, com um enquadramento teórico marxista (o que dá uma boa base interpretativa do mundo e da realidade social) e gosta muito de dizer que o Bloco representa uma alternativa socialista. Porém, eu não estou tão seguro. Até acredito que o Louça possa ser um socialista (mesmo que seja ingénuo, como penso que é) e é sem dúvida uma pessoa com óptimas intenções e alguma boa formação teórica. Mas isso não se aplica à maioria dos militantes do Bloco, nem ao Bloco em si. Como disse Jerónimo de Sousa, não se percebe o que seja o bloco. É social-democrata, socialista? Nem têm propriamente um programa!!! Meia dúzia de bandeiras que têm mais a ver com a realização do liberalismo moral e político (não o económico, é certo) e que não coincidem com a divisão esquerda/direita actual (que se divide justamente no plano sócio-económico), como a despenalização das drogas e do aborto, não constituem (nem podem constituir) um programa e, para as realizar, não seria sequer necessário o bloco. Essa bandeiras, por mais que eu concorde com elas, não contendem com o cerne da sociedade actual, não representam qualquer mudança radical na sociedade. O que é preciso saber é por que tipo de organização sócio-económica batalhará concretamente o Bloco. De certa forma a sua indefinição é a sua "arma" para captar muitos "despolitizados" e esquerdistas politicamente inconscientes...mas também é a sua grande fragilidade. E eu não vejo que o Bloco vá corrigir este defeito, temo até que o aprofunde, conforme as novas gerações, com menos formação política, vão chegando aos postos de liderança. Por isso mesmo é que é tão acarinhado pelos media contra o PCP. &lt;br /&gt;Uma palavra agora para Jerónimo de Sousa e para o resultado que obteve. Foi francamente positivo. Porém, conviria continuar nesta senda, apesar de todo o bloqueio informativo contra o PCP. Neste momento, todos os assalariados do país (e não só) deveriam dar um voto maciço no PCP nas próximas legislativas. Isso não acontecerá, obviamente. Porque alguns votarão no BE e, mais grave ainda, outros até votarão no PS. É altura de compreender que, tendo a URSS desaparecido do mapa, o PS está a tornar-se, é já até, pura e simplesmente um partido a soldo da alta burguesia. O movimento é de recuo, marcha-atrás a velocidade estonteante, rumo ao séc XIX, em que os partidos "de governo" são fotocópias uns dos outros, meros representantes dos interesses da burguesia. E o PS já demonstrou que até está interessado sobretudo numa franja pequena da burguesia: vejam-se as mensagens de júbilo quase incontido (sem falar nos lucros crescentes e fabulosos da banca) da Alta finança portuguesa e dos grandes interesses empresariais portugueses, vejam-se as entradas e saídas de dirigentes do PS, de grandes empresas privadas para o governo e deste novamente para os conselhos de administração de sociedades portuguesas e espanholas (com gordos interesses neste rectângulo à beira-mar plantado) e por certo se perceberá "quem manda" realmente no país neste momento. Infelizmente, a anestesia ministrada em doses cavalares de desinformação mediática, bem como certas peculiariedades sócio-económicas portuguesas (por exemplo, no norte do país), impediram e impedem que uma campanha bem conduzida e que as propostas sérias, honestas e acertadas do PCP sejam sufragadas por todos aqueles cujos interesses são defendidos pelo mesmo. É vergonhoso que Cavaco Silva tenha sido o candidato mais votado em todos os distritos do país, menos em Beja (onde foi Jerónimo de Sousa- avante Alentejo!). Em Setúbal, claro, Jerónimo, Louça, Alegre e, em menor medida, Soares, partilharam muitos votos enquanto que a direita tinha um candidato único. Mesmo assim, é vergonhoso o resultado para esta minha boa terra. Porém, pior ainda são os resultados verificados no Porto. Às vezes apetece-me separar-me do norte do país por causa destas coisas. O porto não é o país dos pequenos proprietários, não estamos a falar de leiria, do minho, trás-os-montes ou beiras profundas. Estamos a falar da segunda zona mais industrializada do País. Onde está a esquerda a sério??? É verdade, há muitos pequenos empresários ali (aqueles empresários aldrabões,que não pagam impostos, nem querem vir a pagar, que empregam poucas pessoas); há muita gente com uma certa ligação ainda à pequena propriedade rural (e com o sonho sempre presente de ser um "micro-empresário", um proprietário de uma lojeca, de uma empresa doméstica...)  Ainda assim, creio que o Porto e arredores têm potencial para serem muito melhor politicamente. A única esperança de preservar o Estado social é votar no PCP, mesmo não se sendo comunista, neste contexto de regressão social acelerada. &lt;br /&gt;Um último apontamento para a candidatura de Garcia Pereira. Foi ignorada ilegitimamente, com autêntico desprezo, apesar de ter apresentado até boas ideias. É inaceitável a forma como foi tratado pelos media. Que eu saiba conseguiu reunir os milhares de assinaturas necessários para ser candidato e foi como tal aceite pelo Tribunal Constitucional. O silenciamento deste candidato mostra quão parciais e falhos de sensibilidade democrática são os órgãos de comunicação social portugueses.  Foi também venenosa a entrevista que lhe fizeram (creio que no DN)...resumiram-na apresentando Garcia Pereira como um (pseudo) defensor dos trabalhadores que na verdade não passaria de um advogado rico cobrando balúrdios à hora e que defende João Jardim. Este pseudo-resumo da entrevista (em que as próprias perguntas são tudo menos inocentes) é simplesmente asqueroso e distorce o conteúdo das declarações de Garcia Pereira. Sim, ele é rico. E daí? Para se ser comunista não é preciso ser-se pobre, monge franciscano, ou coisa que o valha. Quem julga que aqui há incoerência não passa de um idiota ou de um desses nojentos egoístas que julga que não é possível defender-se valores contrários aos seus próprios interesses materiais. Por outro lado, Garcia Pereira diz apenas que, se João Jardim ainda não foi derrotado, tal deve-se à própria inabilidade da esquerda. Na verdade, o PS da madeira deixou a "causa da autonomia da Madeira" para a direita e assim quem lucra é João Jardim. Garcia Pereira é favorável a mais autonomia da Madeira. Não sei se concorde ou discorde, mas é uma posição razoável e não implica uma qualquer defesa de João Jardim. Por outro lado, ele faz notar que falta de liberdade não existe apenas na madeira...mas também no continente(e conviria pensar bem nisto). &lt;br /&gt;Garcia Pereira defende que, como presidente da república e ,dado o enquadramento constitucional, só faria sentido demitir João Jardim ou, igualmente, o governo actual, na medida em que incumpram o programa com o qual conquistaram o voto do eleitorado. Democracia (mesmo em democracia parlamentar burguesa) não pode traduzir-se em os cidadãos, de 4 em 4 anos, darem um cheque em branco aos partidos para que eles depois decidam se cumprem ou não o que prometeram. Nesse aspecto, portanto, o governo Sócrates está ferido de ilegitimidade e seria demitido por Garcia Pereira com mais justiça do que João Jardim (pode ser fascistóide e neo-liberal, mas pelo menos não o esconde). E aqui concordo com Garcia Pereira. &lt;br /&gt;Finito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-114242957773655905?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/114242957773655905/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=114242957773655905' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/114242957773655905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/114242957773655905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2006/03/eleies-presidenciais-um-esboo-de.html' title='Eleições presidenciais: um esboço de análise'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-114081916592697171</id><published>2006-02-24T13:37:00.000-08:00</published><updated>2006-02-24T14:15:47.396-08:00</updated><title type='text'>Pôr do sol na Costa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/2821/1831/1600/p%3F%3Fr%20do%20sol%20na%20Costa.0.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2821/1831/400/p%3F%3Fr%20do%20sol%20na%20Costa.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pôr do Sol na Costa da Caparica, em pleno Inverno...o barco dos pescadores chegou a terra, pejado de peixes agonizando na rede e as gaivotas esvoaçam excitadas pela perspectiva de festim. O nosso mundo é um pouco assim: espertas gaivotas lutam entre si para comer os pequenos peixes sufocantes...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-114081916592697171?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/114081916592697171/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=114081916592697171' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/114081916592697171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/114081916592697171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2006/02/pr-do-sol-na-costa.html' title='Pôr do sol na Costa'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-114081673811012808</id><published>2006-02-24T13:29:00.000-08:00</published><updated>2006-02-24T13:32:18.133-08:00</updated><title type='text'>Eugénio de Andrade</title><content type='html'>Tenho esperança de que este poema de Eugénio de Andrade ainda não seja verdadeiro para mim...Ou terei esperança do inverso? Em todo o caso, é lindo. Gosto muito da poesia do Eugénio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,&lt;br /&gt;e o que nos ficou não chega&lt;br /&gt;para afastar o frio de quatro paredes.&lt;br /&gt;Gastámos tudo menos o silêncio.&lt;br /&gt;Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,&lt;br /&gt;gastámos as mãos à força de as apertarmos,&lt;br /&gt;gastámos o relógio e as pedras das esquinas&lt;br /&gt;em esperas inúteis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.&lt;br /&gt;Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;&lt;br /&gt;era como se todas as coisas fossem minhas:&lt;br /&gt;quanto mais te dava mais tinha para te dar.&lt;br /&gt;Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.&lt;br /&gt;E eu acreditava.&lt;br /&gt;Acreditava,&lt;br /&gt;porque ao teu lado&lt;br /&gt;todas as coisas eram possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso era no tempo dos segredos,&lt;br /&gt;era no tempo em que o teu corpo era um aquário,&lt;br /&gt;era no tempo em que os meus olhos&lt;br /&gt;eram realmente peixes verdes.&lt;br /&gt;Hoje são apenas os meus olhos.&lt;br /&gt;É pouco mas é verdade,&lt;br /&gt;uns olhos como todos os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já gastámos as palavras.&lt;br /&gt;Quando agora digo: meu amor,&lt;br /&gt;já não se passa absolutamente nada.&lt;br /&gt;E no entanto, antes das palavras gastas,&lt;br /&gt;tenho a certeza&lt;br /&gt;de que todas as coisas estremeciam&lt;br /&gt;só de murmurar o teu nome&lt;br /&gt;no silêncio do meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não temos já nada para dar.&lt;br /&gt;Dentro de ti&lt;br /&gt;não há nada que me peça água.&lt;br /&gt;O passado é inútil como um trapo.&lt;br /&gt;E já te disse: as palavras estão gastas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                         Eugénio de Andrade&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-114081673811012808?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/114081673811012808/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=114081673811012808' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/114081673811012808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/114081673811012808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2006/02/eugnio-de-andrade.html' title='Eugénio de Andrade'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-113960949672445049</id><published>2006-02-10T13:54:00.000-08:00</published><updated>2006-02-10T14:11:36.770-08:00</updated><title type='text'>Força, Partisans!!!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/2821/1831/1600/partisans%20russos%203.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2821/1831/320/partisans%20russos%203.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Bella Ciao&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Versão original (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Pianura Padana&lt;/span&gt;) &lt;br /&gt;Canto de trabalho e revolta dos operários, já conhecido durante o fascismo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;Alla mattina appena alzata&lt;br /&gt;o bella ciao bella ciao bella ciao ciao ciao&lt;br /&gt;Alla mattina appena alzata&lt;br /&gt;in risaia mi tocca andar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fra gli insetti e le zanzare&lt;br /&gt;o bella ciao bella ciao bella ciao ciao ciao&lt;br /&gt;E fra gli insetti e le zanzare&lt;br /&gt;un dur lavoro mi tocca far&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Il capo in piedi col suo bastone&lt;br /&gt;o bella ciao bella ciao bella ciao ciao ciao&lt;br /&gt;Il capo in piedi col suo bastone&lt;br /&gt;e noi curve a lavorar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o mamma mia o che tormento&lt;br /&gt;o bella ciao bella ciao bella ciao ciao ciao&lt;br /&gt;o mamma mia o che tormento&lt;br /&gt;io t'invoco ogni doman&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ma verrà un giorno che tutte quante &lt;br /&gt;o bella ciao bella ciao bella ciao ciao ciao&lt;br /&gt;Ma verrà un giorno che tutte quante &lt;br /&gt;lavoreremo in libertà&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Versão dos Partisans ( &lt;span style="font-style:italic;"&gt;versione partigiana&lt;/span&gt; )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a transformação do canto anterior que se vem a tornar o canto símbolo da Resistência italiana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Stamattina mi sono alzato&lt;br /&gt;o bella ciao bella ciao bella ciao ciao ciao&lt;br /&gt;Stamattina mi sono alzato&lt;br /&gt;e ha trovato l'invasor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o partigiano portami via&lt;br /&gt;o bella ciao bella ciao bella ciao ciao ciao&lt;br /&gt;o partigiano portami via&lt;br /&gt;che mi sento di morir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se muoio da partigiano&lt;br /&gt;o bella ciao bella ciao bella ciao ciao ciao&lt;br /&gt;E se muoio da partigiano&lt;br /&gt;tu mi devi seppelir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sepellire lassù in montagna&lt;br /&gt;o bella ciao bella ciao bella ciao ciao ciao&lt;br /&gt;E sepellire lassù in montagna&lt;br /&gt;sotto l'ombra di un bel fior &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E le genti che passerano&lt;br /&gt;o bella ciao bella ciao bella ciao ciao ciao&lt;br /&gt;E le genti che passerano&lt;br /&gt;e diranno o che bel fior&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E' questo il fiore del partigiano&lt;br /&gt;o bella ciao bella ciao bella ciao ciao ciao&lt;br /&gt;è questo il fiore del partigiano&lt;br /&gt;morto per la libertà&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-113960949672445049?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/113960949672445049/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=113960949672445049' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/113960949672445049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/113960949672445049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2006/02/fora-partisans.html' title='Força, Partisans!!!'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-113960836194959990</id><published>2006-02-10T12:41:00.000-08:00</published><updated>2006-02-10T14:18:11.433-08:00</updated><title type='text'>Sérvia, Croácia, segunda guerral mundial e partisans</title><content type='html'>Dos Ustashas, nazis croatas, particularmente sanguinários, até aos dias da guerra suja na jugoslávia. A história não se repete, mas há uma sensação de deja vu quando pensamos no drama actual da ex-jugoslávia. O que o Hitler não conseguiu, conseguiram-no Helmut Kohl e Bill Clinton.  A "drang nach osten" continua. Os empresários alemães já têm muitas colónias bem comportadas, trabalho semi-escravo dos eslavos (finalmente, os servos voltaram para servir o 4º Reich) para fazer explodir os lucros das grandes empresas alemãs, em processo de deslocalização acelerada para a Polónia, República Checa, Eslováquia (só uma curiosidade: a eslováqia foi um estado formalmente independente durante a segunda guerra mundial, sob a tutela de monsenhor Tiso, um fascista católico...agora que veio a "democracia", a Eslováquia voltou a ser independente,e novamente apenas formalmente...dividir para reinar, já diziam os romanos.), croácia (porque será que foi a Alemanha, juntamente com o vaticano, o primeiro estado a reconhecer a independência croata?), eslovénia, e recentemente Bósnia Herzegovina (tanto no caso da independência croata, como no caso dos croatas da Bósnia, o facto de membros desses exércitos terem sido treinados pela cia em campos especiais na Alemanha, como relataram então o Le Monde Diplomatique e o New York Times, deveria fazer-nos pensar). No pré-acordo (que era um diktat norteamericano) de Rambouillet definia-se já qual seria o tipo de sistema económico ("free market economy" - mas porquê isto num pré-acordo que apenas se destinava supostamente a iniciar negociações?) e definia-se que, a título temporário seria o marco alemão a moeda a circular no Kosovo (o marco...porque será? Já o mesmo tinha sucedido aquando da independência da Croácia...). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.srpska-mreza.com/library/facts/ustashi.html"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-113960836194959990?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/113960836194959990/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=113960836194959990' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/113960836194959990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/113960836194959990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2006/02/srvia-crocia-segunda-guerral-mundial-e.html' title='Sérvia, Croácia, segunda guerral mundial e partisans'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-113850003319290511</id><published>2006-01-28T17:53:00.000-08:00</published><updated>2006-01-30T11:26:16.146-08:00</updated><title type='text'>Um poema e um quadro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/2821/1831/1600/Klimt-TheKiss.1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2821/1831/320/Klimt-TheKiss.1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;POEMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todas as ruas te encontro&lt;br /&gt;em todas as ruas te perco&lt;br /&gt;conheço tão bem o teu corpo&lt;br /&gt;sonhei tanto a tua figura&lt;br /&gt;que é de olhos fechados que eu ando &lt;br /&gt;a limitar a tua altura&lt;br /&gt;e bebo a água e sorvo o ar&lt;br /&gt;que te atravessou a cintura&lt;br /&gt;tanto    tão perto    tão real&lt;br /&gt;que o meu corpo se transfigura&lt;br /&gt;e toca o seu próprio elemento&lt;br /&gt;num corpo que já não é seu&lt;br /&gt;num rio que desapareceu&lt;br /&gt;onde um braço teu me procura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todas as ruas te encontro&lt;br /&gt;em todas as ruas te perco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário Cesariny (1923)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;pena capital&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-113850003319290511?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/113850003319290511/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=113850003319290511' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/113850003319290511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/113850003319290511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2006/01/um-poema-e-um-quadro.html' title='Um poema e um quadro'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-113781649010933162</id><published>2006-01-20T20:05:00.000-08:00</published><updated>2006-01-28T18:06:37.810-08:00</updated><title type='text'>Trotsky matando o dragão reaccionário</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/2821/1831/1600/trotsky%20-%20cartaz%201918.0.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2821/1831/400/trotsky%20-%20cartaz%201918.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;notem o pormenor do chapéu da cobra:P&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-113781649010933162?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/113781649010933162/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=113781649010933162' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/113781649010933162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/113781649010933162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2006/01/trotsky-matando-o-drago-reaccionrio.html' title='Trotsky matando o dragão reaccionário'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-113762219374806677</id><published>2006-01-18T13:08:00.000-08:00</published><updated>2006-01-20T20:03:55.206-08:00</updated><title type='text'>Democracia, tempos de antena, ditadura informativa de classe e esquerda inócua</title><content type='html'>Para que depois não digam que se trata de vitimização e de um mito, a verdade é que os factos objectivos demonstram quão discriminada é a candidatura de Jerónimo de Sousa (veja-se artigo "tempo de antena" no blog Mais Livre, aqui colocado). Para um verdadeiro democrata, o conceito de democracia inclui (ou deve incluir) a igualdade e liberdade de acesso à informação e à propaganda.Para qualquer cidadão consciente fica patente que a acção repressiva do estado não consegue ser mais perniciosa e mais deformadora dessa isocracia informativa pretendida do que a acção dos media sob dominação de grandes empresas. Quando meios desiguais de veiculação de informação e propaganda são propriedade de uns poucos, e sempre os mesmos (em termos das classes sociais a que pertencem e que representam), há uma ditadura informativa de classe. Mas, sendo informativa, é uma ditadura de palavras, de formação de mentes e de percepções e, em última análise, da acção (subsequente e consequente) das pessoas. O que nós podemos fazer ou deixar de fazer, a nossa capacidade para a cidadania, está intimamente dependente daquilo que nos é facultado ver. Só consigo locomover-me com base nos dados (e na fidedignidade dos mesmos) que os meus sentidos me transmitem. No domínio da acção política, da formação político ideológica, da capacidade para a cidadania, estamos sujeitos a uma recepção profundamente truncada dos dados e às limitações que isso acarreta. É como se ficassemos com o campo de visão limitado,com palas sobre os olhos, como se faz aos cavalos quando usados para puxar carruagens. A informação que nos chega é a que outros nos fazem chegar. E o filtro que colocam deixa de lado muito informação, sonega-nos imensa informação. Pode suceder que propositadamente (isto é, de má fé) se sonegue informação favorável aos defensores de políticas contrárias aos interesses dos proprietários dos meios de comunicação. Pode também suceder que essa "filtragem" seja feita inocentemente. Isto é, ninguém parte para os dados sem "pré-conceitos" sobre a realidade. É com base numa série de conceitos pré-existentes que vamos ordenar a informação que recebemos, que vamos encontrar linhas condutoras na avalanche de dados que recebemos. É inevitável e necessário tal processo de reordenação dos dados segundo padrões e critérios explicativos da realidade. Naturalmente, nesse processo, alguns dados surgem enfatizados, outros menosprezados; uns são praticamente ignorados, outros afiguram-se como determinantes e por isso concede-se-lhes exacerbada atenção. Há uma hierarquização dos dados, que implica omissões, negligências, aprofundamentos, sobre e subvalorizações, etc (estas são ideologicamente determinadas, mas pode dizer-se que são "inocentes", porque a pessoa que assim opera pretende efectivamente "fazer um esforço de objectividade dentro da sua inevitável subjectividade"). Essa "filtragem" extremamente redutora poderia ser combatida, se houvesse um acesso igual e livre à produção (e não apenas à recepção, num sentido estrito) de informação (que seria sempre "biased", naturalmente, como dizem os anglo-saxónicos). Num regime capitalista tal é impossível, pois também o poder informativo é objecto de propriedade e só fala quem pode, isto é, quem pertença à classe dominante, quem tenha o suficiente poder económico e social para se impor. A Burguesia comanda as operações, sempre, necessariamente. A grande tarefa "revolucionária" é tentar romper com esta ditadura informativo-ideológica, tal como os revolucionários burgueses franceses tentaram fazer (no que tiveram relativo sucesso) com o poder ideológico e informativo das classes reaccionárias. Foi, com uma consciência de classe mais ou menos madura e perfeita, que se procedeu à laicização do estado e ataque ao poder da igreja e do clero, meio de informação e propaganda quase único nas zonas rurais francesas (era pelo padre, aos domingos, que as pessoas sabiam  das notícias extra-aldeia). Foi por isso que instituíram as eleições no próprio clero, retirando às reaccionárias cúpulas clericais o controlo (por via das nomeações) destes autênticos órgãos de informação individuais, aprofundando por este meio a democracia informativa (e o poder de reprodução das estruturas ideológicas necessárias ao novo regime sócio-económico, as estruturas ideológicas da burguesia ascendente). Foi por isso que sentiram a necessidade de desenvolver os meios então alternativos de comunicação e propagação ideológica: os jornais e revistas. Há mecanismos no capitalismo que poderiam servir de parco paliativo à ditadura de classe informativa da Burguesia. Mas neste momento a ditadura informativa de classe está em processo de contínuo aprofundamento...   e não de abrandamento. &lt;br /&gt;O combate pela informação e pela democracia informativa impõe-se como necessidade primária e obrigação política e moral da esquerda (isto é: da verdadeira esquerda, a esquerda progressista, defensora da democracia alargada e das tranformações sócio-económicas necessárias para atingir a mesma). Há que dar voz aos que não têm voz.&lt;br /&gt;Hasta la victoria, siempre!! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://maislivre.blogspot.com/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sobre as sondagens:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://doc-log.blogspot.com/2006/01/o-mistrio-das-sondagens.html&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://maislivre.blogspot.com/2006/01/traduo-de-artigo-sobre-as-sondagens.html&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relembro que, sistematicamente, em todas as eleições, em 30 anos de democracia, todas as sondagens deram sempre resultados inferiores aos que realmente se vieram a registar nas eleições para o PCP e coligações em que esteve integrado. Não se espera alteração da mesma tendência nestas eleições presidenciais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, Louça (como é típico do BE) tem sido bastante beneficiado pela comunicação social de forma pouco inocente. Não é de espantar , por isso, que ele se recuse a comentar e criticar a comunicação social (não obstante Cavaco Silva estar a ser levado ao colo). É por essas e por outras que o Bloco vai mostrando a sua natureza. A burguesia raramente se engana quanto aqueles que são os seus reais inimigos. Na guerra da informação, "apaga" tanto quanto pode os que julga realmente "perigosos" para o "status quo" e promove uma imagem tanto positiva quanto possível de uma esquerda muito espalhafatosa, bem falante, mas perfeitamente inócua, dominável e dominada. Não porque morra de amores pelo Bloco, é certo, mas porque promovendo este, tenta minar a força social e política dos que mais os apoquentam, dos que lhes podem montar uma verdadeira resistência, apontado com coerência e radicalismo, uma via alternativa, uma via de transformação profunda das infra e superestruras sociais. E para que fique claro: nutro simpatia e respeito pelo Francisco Louça (independentemente de críticas que lhe possa fazer) e por muitas pessoas no Bloco de Esquerda. Não os elejo como inimigos, nem primários, nem secundários,sabendo bem distinguir quem me é próximo (em termos ideológicos), ao contrário do que faz muita gente no PCP relativamente ao Bloco, e do Bloco relativamente ao PCP.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-113762219374806677?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/113762219374806677/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=113762219374806677' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/113762219374806677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/113762219374806677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2006/01/democracia-tempos-de-antena-ditadura.html' title='Democracia, tempos de antena, ditadura informativa de classe e esquerda inócua'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-113233668533987705</id><published>2005-11-18T09:44:00.000-08:00</published><updated>2005-11-18T10:47:39.416-08:00</updated><title type='text'>As Farc e um Padre humanista</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/2821/1831/1600/farc_guerrilheira.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2821/1831/320/farc_guerrilheira.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Força, guerrilheira camarada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toca a visitar um blog de um camarada: www.transbolivariano.blogspot.com&lt;br /&gt;E para quem queira conhecer um pouco mais da origem e luta das FARC-EP:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.resistir.info/colombia/brittain_farc.html#notas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos acabar com as mentiras sobre a colômbia e as Farc. E vamos dar apoio a este padre  perseguido pelo governo narco-fascista de Uribe. Está no Brasil, detido, e pende sobre a sua cabeça a ameaça da extradição para a Colômbia, ou seja, a ameaça de cair nas mãos de assassinos. Será preciso recordar que na Colômbia é costume assassinar-se os dirigentes sindicais (por milícias paramilitares, as mesmas que combatem as farc); que nos relatórios de quase todas as organizações não-governamentais, inclusive ligadas à igreja católica, surge a colômbia como um dos locais mais perigosos do mundo para jornalistas (que morrem como tordos lá, enquanto na "perigosa" Cuba só morreu um jornalista depois da revolução...), dirigentes sindicais e de outras organizações, políticas e não só, vítimas não das farc, mas de milícias paramilitares ou do próprio governo; que 70% das mortes violentas (no&lt;br /&gt;vamente, dados de ONGs, muitas ligadas à igreja católica) no país se devem à acção sanguinária dos grupos paramilitares financiados pela oligarquia criminosamente rica do país,a mesma que domina os órgãos de comunicação social e que apoia Uribe; que a violação dos direitos humanos é uma constante; que a distribuição da riqueza é monstruosamente desigual, com marajás do latifúndio, arrotando em dinheiro de um lado, e miseráveis sem eira nem beira do outro ;que ainda há um ano e tal o secretário geral do partido comunista foi morto num ataque surpresa, metralhado enquanto almoçava num restaurante, num acto digno da Máfia italiana (sendo os autores os do costume...)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo isto não passa nos órgãos de comunicação social, democráticos e livres,imparciais e objectivos, com certeza... Depois não admira que pessoas desinformadas como o Saramago ainda venham atacar as FARC e a sua luta heróica pelos camponeses sem terra e paupérrimos do país. Aqueles camponeses que quando suspeitos de auxiliar as Farc são cortados vivos em bocados com serra eléctrica pelos paramilitares (notícia do Le Monde Diplomatique e não só)...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-113233668533987705?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/113233668533987705/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=113233668533987705' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/113233668533987705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/113233668533987705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2005/11/as-farc-e-um-padre-humanista.html' title='As Farc e um Padre humanista'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-113193024304836939</id><published>2005-11-13T16:18:00.000-08:00</published><updated>2005-11-13T17:12:11.590-08:00</updated><title type='text'>Adeus ao índio</title><content type='html'>Este texto de um chefe Índio é muito comovente. Li-o há já bastante tempo num livro da Assírio e Alvim chamado "sopro das vozes" que ofereci ao meu irmão. Tudo isto que vou dizer serão clichés, bem sei. Ainda assim creio que têm uma grande dose de verdade. Para lá de uma certa cegueira romântica a propósito deste tema, não há como não lamentar o autêntico genocídio não apenas físico, mas sobretudo cultural, praticado sobre os povos indígenas da América. Em nome de um pretenso progresso (material talvez, mas nunca necessariamente moral), foram destruídos modos de vida  que preservavam muito daquilo que infelizmente não soubemos preservar nas sociedades hodiernas e que, irremediavelmente creio, perdemos para todo o sempre. Falar em índios é não falar em nada, sei-o bem. Cada tribo era uma realidade diferente. Mas, regra geral, é fácil de reconhecer que na sociedade industrial falta-nos muito daquilo que importa, muito daquilo que é humano, humaníssimo e que eles tinham em abundância. Todo o nosso afã produtivo (inútil) é bem mais irracional do que a estagnação dos "subdesenvolvidos". Nós vivemos para produzir, eles produzem para viver. Os nossos workaholics estão tão doentes que quase que deixaram de ser humanos.      Nós "corremos" para tudo. Dizemos que é para haver mais bens e para todos estarem mais satisfeitos. Mas depois de produzido muito mais do que é necessário para satisfazer as necessidades, deixamos pessoas morrer à fome no altar do Moloch-mercado. Algumas escassas pessoas acumulam tantas riquezas que podem obter tudo o que é humanamente possível, mas (ou por causa disso) são incapazes de se sentirem satisfeitas. O índio vive em harmonia com a natureza. Nós só pensamos em transformá-la em mais recursos, em mais mercadorias. Transformámos o próprio trabalho  &lt;br /&gt;humano numa mercadoria e, em última análise, transformámos o ser humano numa mercadoria, num objecto ao serviço dos desígnios da Santa Economia (entenda-se, economia de mercado). Os sacramentos desta igreja chamam-se eficiência, eficácia, produtividade e competividade. E quem questionar para que serve tudo isto, responder-nos-ão invariavelmente  que quem questiona é um primitivo, um herético que não percebe que o Deus mercado tem misteriosos desígnios que nós não podemos nem devemos tentar sondar. Tal tarefa está reservada aos economistas, sacerdotes do culto. O índio não entende as nossas "racionais" desigualdades, não entende uma sociedade que produz tanto e ainda assim cultiva o egoísmo fratricida mais atroz, não entende uma sociedade dividida entre subordinados e explorados de um lado e superiores e exploradores do outro. Não entende como é que podemos ter outro objectivo, outro fim, nas nossas acções que não o próprio ser humano (e não estou a dizer que os índios tenham lido a metafísica dos costumes do Kant). Quando, como o índio, não conseguirmos entender todas estas coisas, teremos conseguido atingir o progresso moral que não acompanhou (antes foi trucidado por) esta correria infernal do progresso produtivo e tecnológico. Eu sou progressista. Não sou um reaccionário, nem um apologista romântico de uma qualquer pretensa "idade de ouro" dos antigos. Mas há que pensar que tipo de progresso é que queremos. Ouçamos este velho homem que, não obstante a sua ingenuidade, tem uma clara e dolorosa percepção do que espera o seu povo e terra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           Cheio de Golpes &lt;br /&gt;                                Corvo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CHEFE CHEIO-DE-GOLPES (CORVO) FAZ UM DISCURSO DE DESPEDIDA EM 1909 NO CAMPO DAS ASSEMBLEIAS EM LITTLE BIGHORN, MONTANA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Este chão em que estamos é um chão sagrado. Foi feito com o pó e o sangue dos nossos antepassados. Foi para estas planícies que o Grande Pai Branco de Washington enviou os seus soldados armados com facas longas e espingardas para matar os índios.&lt;br /&gt;Muitos deles dormem nessa colina, ali adiante, onde Pahaska – O Chefe branco de Cabelos Compridos (General Custer) – tão bravamente combateu e morreu. Mais alguns sóis e nós já não estaremos aqui e o nosso pó e os nossos ossos misturar-se-ão com estas pradarias. Como se fosse numa vião, vejo morrer a centelha das nossas assembleias de fogo até que só restem cinzas frias e brancas. Não vejo mais as espirais de fumo saindo pelo topo das nossas tendas. Já não ouço mais o canto das mulheres enquanto preparam a comida. Os antílopes desapareceram, os lodaçais do búfalo estão vazios. Só se ouve o uivo do Coiote. A magia do homem branco é mais forte do que a nossa, o seu cavalo de ferro corre sobre a pista do búfalo. Fala connosco através do seu “espírito que sussura” (o telefone). Somos como pássaros de asa quebrada. Dentro de mim sinto o coração frio. Os meus olhos estão a enfraquecer – Estou velho…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-113193024304836939?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/113193024304836939/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=113193024304836939' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/113193024304836939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/113193024304836939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2005/11/adeus-ao-ndio.html' title='Adeus ao índio'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-113185570319596048</id><published>2005-11-12T20:20:00.000-08:00</published><updated>2005-11-13T16:16:17.470-08:00</updated><title type='text'>Meu amor, quando eu morrer veste a mais garrida saia</title><content type='html'>Encontrei isto através daquele site: "índice de autores portugueses". É a letra de uma das canções do Fausto no fabuloso album "Por este rio acima". Vem acompanhado do texto inspirador retirado da peregrinação de Fernão Mendes Pinto.&lt;br /&gt;Aquele pedaço em que ele canta, "meu amor quando eu morrer, oh linda, veste a mais garrida saia; se eu vou morrer no mar alto, oh linda, e eu quero ver-te na praia (...)" sempre teve algum efeito emocional sobre mim. Mas quando agora sou assediado pelo desespero, ou pela melancolia nostálgica extrema, as palavras saem-me espontanea e obsessivamente da boca, o ritmo cortado pela emoção, e os olhos humedecem-se. Ela tinha uma saia, uma saia que nunca pôde colocar para mim, por contingências um tanto idiotas de tão fortuitas. E também a distância (física e não só) de um oceano inteiro nos separa, como separaria os nossos soldados e marinheiros por terras da Àsia naquele tempo. Queria muito vê-la com aquela saia( que nem é garrida,por acaso) antes de morrer. Coisa idiota, coisa de ultra-romântico eventualmente. Enfim, alongo-me demais. A hora e o cansaço actuam impiedosamente sobre mim. Perdoem-me o verbalismo supérfluo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um sonho acordado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se a Terra corresse&lt;br /&gt;Inteirinha atrás de mim&lt;br /&gt;O medo ronda-me os sentidos&lt;br /&gt;Por abaixo da minha pele&lt;br /&gt;Ao esgueirar-se viscoso&lt;br /&gt;Escorre pegajoso&lt;br /&gt;E sai&lt;br /&gt;Pelos meus poros&lt;br /&gt;Pelos meus ais&lt;br /&gt;Ele penetra-me nos ossos&lt;br /&gt;Ao derramar-se sedento&lt;br /&gt;Nas entranhas sinuosas&lt;br /&gt;Entre as vísceras mordendo&lt;br /&gt;Salta e espalha-se no ar&lt;br /&gt;Vai e volta&lt;br /&gt;Delirante&lt;br /&gt;Tão delirante&lt;br /&gt;É como um sonho acordado&lt;br /&gt;Esse vulto besuntado&lt;br /&gt;A revolver-se no lodo&lt;br /&gt;A deslizar de uma larva&lt;br /&gt;Emergindo lá no fundo&lt;br /&gt;Tenho medo ó medo&lt;br /&gt;Leva tudo é tudo teu&lt;br /&gt;Mas deixa-me ir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrasta-me à côncava do fundo&lt;br /&gt;Do grande lago da noite&lt;br /&gt;Cruzando as grades de fogo&lt;br /&gt;Entre o Céu e o Inferno&lt;br /&gt;Até à boca escancarada&lt;br /&gt;Esfaimada&lt;br /&gt;Atrás de mim&lt;br /&gt;Atrás de mim&lt;br /&gt;É como um sonho acordado&lt;br /&gt;Esses olhos no escuro&lt;br /&gt;Das carpideiras viúvas&lt;br /&gt;Pelo pai assassinado&lt;br /&gt;Desventrado por seu filho&lt;br /&gt;Que possuiu lascivo&lt;br /&gt;A sua própria mãe&lt;br /&gt;E sua amante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amor quando eu morrer&lt;br /&gt;Ó linda&lt;br /&gt;Veste a mais garrida saia&lt;br /&gt;Se eu vou morrer no mar alto&lt;br /&gt;Ó linda&lt;br /&gt;E eu quero ver-te na praia&lt;br /&gt;Mas afasta-me essas vozes&lt;br /&gt;Linda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tens medo dos vivos&lt;br /&gt;E dos mortos decepados&lt;br /&gt;Pelos pés e pelas mãos&lt;br /&gt;E p'lo pescoço e pelos peitos&lt;br /&gt;Até ao fio do lombo&lt;br /&gt;Como te tremem as carnes&lt;br /&gt;Fernão Mendes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diário da viagem, Fernão Mendes Pinto&lt;br /&gt;Como um sonho acordado "Embarcado num jurupango, com o Mouro Coja Ale, feitor do capitão de Malaca, fomos surgir no rio de Parles no Reino de Quedá. Nesse tempo, estava o rei celebrando com grande aparato e pompa fúnebre as exéquias da morte de seu pai, que ele matara às punhaladas para casar com a sua mãe que já estava prenhe dele. Para evitar murmurações mandou lançar pregão que sob gravíssimas mortes ninguém falasse no que já era feito. Mas Coja Ale era de sua natureza solto de língua e muito atrevido em falar o que lhe vinha à sua vontade. E foi assim que preso por soldados fui chamado ao rei e olhando para onde ele me acenava, vi jazer de bruços no chão muitos corpos mortos todos metidos num charco de sangue. Entre eles o mouro Coja Ale. Por mais de uma grande hora estive como pasmado, debaixo de abano, sem poder falar, arremessado aos pés do elefante em que el-rei estava. Depois de perdoado pelas lamentações e desculpas toscas, mas que vinham ao momento muito a propósito, me fiz à vela muito depressa pelo grande medo e risco de morte em que me vira".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-113185570319596048?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/113185570319596048/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=113185570319596048' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/113185570319596048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/113185570319596048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2005/11/meu-amor-quando-eu-morrer-veste-mais.html' title='Meu amor, quando eu morrer veste a mais garrida saia'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-113163063149501119</id><published>2005-11-10T05:45:00.000-08:00</published><updated>2005-11-10T05:50:31.496-08:00</updated><title type='text'>Partem tão tristes</title><content type='html'>Quem não se lembra de deparar nos manuais escolares do 10 (ou seria já 11º?) ano com este poema de 6 séculos de um homem que poderia ser um de nós? Poderia ser eu. Tudo isto é tão simples, tudo isto é tão lindo, tudo isto é tão triste. Lembro-me de olhos que partiam chorando, que se apartavam entre lágrimas, no dia 20 de Julho de 2005 no Rio de Janeiro. E não eram só os meus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Roiz de Castelo-Branco, Cancioneiro Geral&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Senhora, partem tão tristes&lt;br /&gt;    meus olhos por vós, meu bem,&lt;br /&gt;    que nunca tão tristes vistes&lt;br /&gt;    outros nenhuns por ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Tão tristes, tão saudosos,&lt;br /&gt;    tão doentes da partida,&lt;br /&gt;    tão cansados, tão chorosos,&lt;br /&gt;    da morte mais desejosos&lt;br /&gt;    cem mil vezes que da vida.&lt;br /&gt;    Partem tão tristes, os tristes,&lt;br /&gt;    tão fora de esperar bem&lt;br /&gt;    que nunca tão tristes vistes&lt;br /&gt;    outros nenhuns por ninguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-113163063149501119?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/113163063149501119/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=113163063149501119' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/113163063149501119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/113163063149501119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2005/11/partem-to-tristes_10.html' title='Partem tão tristes'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18654162.post-113113220235443655</id><published>2005-11-04T11:22:00.000-08:00</published><updated>2005-11-04T11:23:22.366-08:00</updated><title type='text'>teste</title><content type='html'>Hoje é o primeiro dia do resto das minhas "postagens" neste blog...&lt;br /&gt;E este é o meu primeiro teste&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18654162-113113220235443655?l=cativodacativa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cativodacativa.blogspot.com/feeds/113113220235443655/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18654162&amp;postID=113113220235443655' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/113113220235443655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18654162/posts/default/113113220235443655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cativodacativa.blogspot.com/2005/11/teste.html' title='teste'/><author><name>Cavaleiro Almadense da triste figura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17810305306857408432</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
